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Imprensa X Políticos, uma velha briga

Por Gilberto Jasper, para Coletiva.net

Duas empresas jornalísticas – Record e Bandeirantes – romperam relações com o prefeito de Porto Alegre. Isso não é inédito, mas pouco inteligente por parte do administrador da Capital. Briga com a imprensa sempre termina 2×1. Para as empresas.

Brigar com a imprensa é um movimento extremo, resultado de muita reflexão sobre perdas e ganhos. As consequências envolvem perda de receita publicitária para os veículos e uma avalanche de notícias negativas despejadas todos os dias. Quase fatal para quem tenta a reeleição.

Veículos e jornalistas estão acostumados a serem acusados de perseguir determinados políticos. Cá entre nós: alguns colegas contribuem com esta fama. Por exemplo: conheço uma jornalista, ainda em atividade na praça, que tem um bordão repetido à exaustão na redação:

– Quando um administrador público ou detentor de cargo eletivo faz uma coisa boa ele não faz nada mais que a sua obrigação. Mas quando erra, precisamos denunciar, cobrar, exigir uma atitude enérgica dos órgãos fiscalizadores.

Concordo em parte, mas acho que a cobertura da mídia, no cômputo final, mira em demasia o negativismo. E para isso sobram pautas. Por outro lado, destacar os bons exemplos inspira para a adoção de práticas positivas, além de estimular pessoas “normais” a serem candidatas, qualificando as nominatas.

No caso de Porto Alegre, a beligerância do administrador maior é marca registrada. Lembro-me do primeiro conjunto de projetos remetidos à Câmara de Vereadores. Entrevistado sobre a estratégia para aprovar as matérias, ele foi direto. E infeliz:

– São projetos fundamentais para a cidade. Quem acha que vou trocar apoio por “cecezinhos” (cargos de confiança) com os vereadores está muito enganado!

A declaração, longe de denotar mau humor, foi a senha da marca da atual administração cuja lista de colaboradores/desafetos – secretários, assessores, vereadores e empresários – que abandonaram o barco só cresce. Governar é administrar conflitos.

Já o inquilino do Palácio Piratini entendeu que a montanha russa do poder é um aprendizado. Com prestígio em alta, no começo da pandemia, ele viu seu ibope despencar com o prolongamento da crise. Por isso, socorreu-se dos prefeitos para compartilhar o desgaste.

Em Porto Alegre, porém, a energia do prefeito é interminável para encontrar sacos de pancada diferentes a cada mês. Lamentável porque DNA e experiência não lhe faltam. Sobra, no entanto, soberba e carece de humildade. Isso é fatal em política.

Gilberto Jasper é jornalista.

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