Desde que entrei no Ecosys, em janeiro de 2020, venho tentando entender ele. E, aqui, tenho a pretensão de “personificar” ele. O ser Ecosys. Comecei tentando entender o lugar físico, as empresas que fazem parte, o modelo de negócio, as pessoas, a relação entre os colaboradores, as necessidades e as possíveis regras. Perguntei a mim mesma e aos outros: “O que define o Ecosys?”. Tanto busquei – e insisti nessas perguntas com os colaboradores -, que cheguei ao “ser Ecosys”.
Porém, para chegar até aqui, teve um caminho percorrido. Olhei para todas as definições que o ecossistema já possuía: apresentações institucionais e canais sociais. Compilei todas as pesquisas e workshops. Cheguei a muitas definições, todas válidas. Desenvolvi um alfabeto de palavras que o definiam e, a partir disso, criei uma frase: “Somos um ecossistema de empresas independentes e especialistas em novos modelos de comunicação. Somos uma alternativa ao modelo vigente.”
A dificuldade de achar uma resposta única me fez ler sobre sistemas complexos. Entendi que eles são formados por modelos interdependentes que formam um todo organizado. A interdependência, como define Ricardo Guimarães, é uma organização mais eficiente, econômica e bonita. Mas se há uma coisa que complexidade não permite é controle. Controlar complexidade, além de incongruente, destrói todo o potencial criativo presente nesses ambientes. Nesse momento, começou a nascer o “ser Ecosys”, ainda, e talvez sempre, sem uma única definição.
Comecei a ler sobre business ecosystem e entendi que ele é composto por grupos independentes que criam produtos e/ou serviços que, juntos, constituem uma solução coerente. Eles oferecem acesso a uma ampla gama de recursos, flexibilidade e resiliência. São formados por pessoas que concordam em colaborar. Não são inteiramente planejados e projetados; muitas vezes, eles simplesmente surgem. Essa adaptabilidade é uma das suas maiores forças.
Foi me liberando de definir o que o Ecosys é que entendi ele como um ser. Não necessariamente humano, mas um ser que é definido por relações. Como Maturana diz: “nada é em si, tudo é relação”. Ou seja, o Ecosys só existe pelas relações entre as empresas e pessoas que fazem parte dele. É a liberdade de se relacionar como cada empresa e pessoa deseja, que faz com que se criem círculos de confiança entre elas. Criamos a transparência necessária para a conversa e confiança emergir. Talvez se possa definir como uma roda de conversa. Aqui, nós escutamos, incentivamos e evoluímos juntos. É o famoso “dar o pezinho” para o amigo.
Tá aí a definição do “ser Ecosys”: a soma da relação entre todas as pessoas que fazem parte dele. Por isso ele é ser, pois está em constante transformação. E, quantas vezes dentro das nossas relações pessoais e profissionais, não nos perguntamos por que estamos juntos? Esse questionamento e as respostas encontradas (ou não) é o que nos fazem continuar juntos. Porque cada vez enxergamos novas respostas e possibilidades. É aí que mora a essência do “ser Ecosys”.
Deixei de tentar encontrar uma frase ou explicar qual o objetivo de sete empresas estarem juntas num ecossistema. Cada pessoa enxerga vantagens e desafios em uma relação. Agora, estamos juntos porque queremos essa relação. Queremos ela sempre que for verdadeira, confiável e em constante transformação. Ser e fazer parte do Ecosys, pra mim, é ser assim.
O Ecosys é um ecossistema com sete empresas independentes e especialistas em transformação digital: Alright, BrazilJS, DEx01, DO IT, Eyxo, ON2 e Zeeng.
Quitéria Oliveira é designer e gestora do Ecosys.

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