Duras críticas ao projeto do governo que propôs a criação de um Conselho Federal de Jornalismo foi o que mais se ouviu no “Tá na Mesa”, a reunião-almoço promovida pela Federasul, tendo jornalistas como debatedores em torno do tema “Sociedade e informação: direitos ameaçados?”. Já ao abrir o encontro, o presidente da entidade, Paulo Afonso Feijó, deu o tom dos debates ao afirmar que “esta foi uma de tantas iniciativas equivocadas deste governo”, que se especializou “em contrariar todos os princípios básicos da democracia”.
Rogério Mendelski, da Rede Pampa, o primeiro a falar no espaço de 10 minutos, acusou que com o projeto de criação do CFJ o governo federal “preparou um golpe para cima dos jornalistas”. Ele mesmo destacou que todos os participantes do debate na Federasul tinham a mesma opinião contrária ao projeto porque “noventa por cento dos jornalistas brasileiros pensam assim”. Depois dele, Telmo Flor, diretor de Redação do Correio do Povo, lembrou que o debate sobre o CFJ é tão antigo quanto a luta pela regulamentação da profissão, e ressaltou que o grande problema está contido na norma que daria ao Conselho o poder de “orientar, fiscalizar e disciplinar” a atividade jornalística, o que, no seu entendimento, tem o claro objetivo de “tolher a liberdade de imprensa entre nós”.
Raul Costa Jr., diretor de Telejornalismo da RBS TV, disse que procurou pesquisar todos os projetos que se referem à imprensa e que estão em tramitação no Congresso Nacional desde janeiro de 2003. Não gostou do resultado, que classificou como o “conjunto da obra” – meia dúzia de tentativas de regulamentação que ameaçam a liberdade de imprensa, como a recente “!Lei da Mordaça” aplicada ao funcionalismo público. Disse que os governos perdem tempo quando tentam restringir a liberdade de imprensa, pois as atuais tecnologias disponíveis, como a Internet, furam este bloqueio. “O mundo é hoje uma democracia globalizada”, disse Raul, “e nela as ditaduras perdem espaço graças às inovações tecnológicas”.
O colunista do Jornal do Comércio e da Rádio Band, Fernando Albrecht, afirmou que se considera um dos poucos que não se surpreenderam com o projeto do CFJ. “Não me surpreendi porque lembro que sempre esteve nos conteúdos programáticos do PT a idéia de controle social dos meios de comunicação”. Fernando ainda chamou a atenção para o próprio projeto que tramita há quase uma década não Congresso, para estabelecer uma Lei de Imprensa, “que pode conter muitas armadilhas também”.

