Segundo a diretora do Instituto de Jornalismo Interativo da Universidade de Maryland, Jan Schaffer, o jornalismo pode ajudar as pessoas a definir o papel que podem desempenhar como cidadãos ativos da sociedade, sem, no entanto, influenciar diretamente suas opiniões. A receita seria adotar os princípios do “jornalismo cívico”, que procura novas formas de abordagem dos assuntos e novas fontes de informação, entre outras iniciativas. “O jornalismo cívico é um guarda-chuva amplo de propostas e ações que ajudam as pessoas a vencer seu sentimento de impotência”, afirmou Schaffer, que já dirigiu o Pew Center for Civic Journalism. Desde o início dos anos 90, o instituto criou 120 projetos jornalísticos voltados à valorização da cidadania.
Entre os pontos destacados por Schaffer para se praticar o “jornalismo cívico”, estão novas definições sobre o que é notícia (como cobrir não apenas os conflitos, mas também as soluções), manter contato direto com a comunidade, para identificar os assuntos de interesse do público, e encontrar novas formas de transmitir os conteúdos. “Pesquisas mostram que o público acredita que a mídia passa mais tempo falando para a elite do que para o cidadão comum e que os veículos estão mais voltados para os seus próprios interesses do que para a sociedade”, disse a diretora ontem durante sua palestra no 5o Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), que acontece em São Paulo.

