A socióloga Miguelina Paiva Vecchio, presidente do Conselho Estadual do Direito da Mulher, criticou o tratamento estereotipado da mulher pela mídia, em programas de entretenimento, anúncios, músicas e mesmo na cobertura jornalística, onde a imagem da mulher é erotizada ou depreciada. Sábado, durante o 31o Congresso Estadual dos Jornalistas, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas no Rio Grande do Sul, ela falou que acredita que os meios de comunicação se abriram mais à presença feminina, mas isso “não significa mudança no discurso masculino e burguês, pois as mulheres nas redações estão a serviço do patrão, sem espaço para dar representatividade às lutas pela igualdade”. “Precisamos ter jornalistas que leiam a sociedade sob a ótica das mulheres. Hoje, elas não são agentes de comunicação, mas trabalhadoras de veículos”, argumenta Miguelina.
A professora e doutora em jornalismo Christa Berger afirmou que acreditava que quando as mulheres fossem mais presentes nas redações, a mídia seria mais sensível à posição feminina, mas isso, disse ela, não aconteceu. “Temos mulheres jornalistas nos principais jornais do Estado e uma ocupando a bancada do principal telejornal do País, porém elas não mostram uma visão feminina, mais crítica, menos competitiva”, explica Christa. Ela vê a necessidade de se abrir espaço para um debate maior da mulher e a mídia, para encontrar solução para o impasse. O Congresso, na avaliação da professora, abriu uma brecha para a discussão. Ela também ficou surpresa com a presença maciça de estudantes, principalmente vindos do interior do estado.
A direção do sindicato informou que o painel “Mídia e Mulher” foi um dos mais procurados pelos participantes do congresso. Cerca de 400, dos 450 inscritos, assistiram a essas palestras.

