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Comunicação e parentalidade: servir para transformar

De Gabriela Alcântara Braz, para o Coletiva.net

Esses dias lembrei que fui juramentista da minha turma de Jornalismo. Há exatamente 15 anos, subi ao palco para receber o meu diploma pela Universidade de Caxias do Sul, prometendo “no exercício da profissão assumir meu compromisso com a verdade e com a informação e empenhar todos os meus atos e palavras, meus esforços e meus conhecimentos para a construção de uma nação consciente de sua história e de sua capacidade”.

Um juramento não é apenas um conjunto de palavras: é, isto sim, um propósito. Trabalhar com comunicação é ser crítico, observador, questionador e, principalmente, bom ouvinte. Não temos como falar de algo sobre o qual não ouvimos ou não entendemos. A gente mergulha na realidade do outro, na vida do outro; sofre a dor do próximo. E tudo isso para contar histórias e chamar a atenção para o que é importante — para o que precisa ser celebrado, combatido ou incentivado.

Os anos passam e as experiências vão moldando o nosso olhar e a nossa escuta. Mas tem algo muito especial que aconteceu no meu caso: ser mãe de uma criança autista. E, semelhante ao juramento de 2009, prometi criar um ser humano consciente da sua história e da sua capacidade. Uma linda menina, inteligente, vibrante e que, assim como uma boa pauta, exige observação, acompanhamento e investigação.

Quem exerce a parentalidade sabe que existem muitas semelhanças com o jornalismo. A gente mergulha na realidade dos filhos — e, às vezes, quase se perde da nossa — e tenta contar para eles, da forma mais clara possível, o que é a vida e como sobreviver em sociedade. Vibramos e sofremos com nossos pequenos, vamos ganhando experiência e ficando mais seguros. Não existe nada mais gratificante do que criar seres humanos com integridade, respeito, responsabilidade e afeto. Não podemos desistir desses papéis — de pais e de jornalistas — em uma sociedade que clama por mais bondade e por mais verdade.

Juramentos, quando conectados com a nossa essência, têm poder de mudança. Quem escolheu a comunicação terá para sempre esse olhar apurado para mitigar as injustiças e construir ambientes mais voltados ao diálogo e à inclusão. Já quem foi escolhido pela parentalidade sabe que nossa luta diária envolve dar condições de desenvolvimento pleno para nossas crianças, de forma saudável e segura. Em ambas as missões, servimos para transformar.

Gabriela Alcântara Braz é Jornalista e gerente de Comunicação Corporativa na Critério.

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