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Cinco perguntas para Ana Celina Bueno

Publicitária é a primeira mulher a comandar a Federação Nacional de Agências e Propaganda (Fenapro)

“A publicidade é a indústria que move os outros segmentos, que influencia comportamentos, que gira a economia, e isso nos traz um senso de responsabilidade muito grande”, analisa a profissional. - Crédito: Arquivo pessoal.

  1. Quem é você, de onde vem e o que faz?

Sou uma mulher de 60 anos que nasceu na fronteira do Brasil com o Uruguai, em Quaraí, no Rio Grande do Sul, e, há quase 40 anos, adotou o Ceará como seu lar, seu mercado e seu paraíso.

  1. O que a motivou a fazer Publicidade e quais foram os principais desafios e aprendizagens do início da sua trajetória profissional?

Há 30 anos me tornei publicitária. Sou assistente social e socióloga de formação, atuei na área pública com pesquisa e planejamento. Meu foco sempre foi a sociedade e seus movimentos. A Publicidade veio como consequência das minhas posturas ao analisar campanhas de um cliente para o qual trabalhava. O convite para gerenciar uma agência, sem nunca ter sequer visitado uma, moldou uma história que já chega aos 30 anos.

Meu foco inicial foi estudar e me conectar com toda a base que eu já tinha. Foi um pulo para enxergar comportamentos de consumo, movimentos das marcas e as tendências que pressionariam a indústria, os serviços e o varejo (que acabou sendo minha paixão).

  1. Qual é a importância e quais os desafios em ser a primeira mulher a comandar a Federação Nacional de Agências e Propaganda (Fenapro)?

Ser mulher é um desafio desde o nascimento. Mas sempre gostei desse enfrentamento, que sempre fiz com lógica, razão e afeto. Ganhei o mundo muito cedo, saí de casa e do interior aos 16 anos, com a certeza de que faria algo de significativo para o mundo. E assim foi, sempre. 

A Publicidade é a indústria que move os outros segmentos, que influencia comportamentos, que gira a economia, e isso nos traz um senso de responsabilidade muito grande. Com esse pensamento, sempre atuei no meu mercado, nas entidades de classe e, depois, na própria Fenapro, sempre levando a consciência e a visão da importância dos mercados regionais e da necessidade de nos fortalecermos. Nunca foi uma bandeira da mulher, foi sempre da categoria. E, assim, a mulher se estabeleceu.

  1. Como será a sua atuação diante do contexto de transformações no mercado da Comunicação?

Embora eu já fosse do movimento há muitos anos, agora tenho mais acesso a informações, a relacionamentos e vejo que já avançamos na direção certa nos mandatos anteriores. Montamos uma infraestrutura sólida de informações, dados e assessorias que hoje unificam as ações em 21 estados do Brasil. São mais de 850 agências e 50 mil colaboradores. 

Essa unidade, somada à constante formação das lideranças, nos ajuda a implementar as mudanças necessárias para acompanhar o mercado. Entre as novas pautas, quero muito buscar a unificação e o alinhamento das diversas entidades que representam as agências. 

  1. Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?

Já iniciei a transição do comando da agência para os meus sócios. Deixei o operacional do negócio, e hoje passo a dedicar meu tempo a pensar e trabalhar pela categoria. Com cargo ou sem cargo, essa será minha missão. Tem a ver com devolver ao meu segmento e ao mercado tudo que já conquistei. 

A outra prioridade é no campo pessoal. O equilíbrio entre o profissional e o pessoal é uma coisa que cuido muito e quero também me compensar de muita ausência, de muitas horas de pouco sono, de uma vida de pouco exercício. Tudo isso são processos já iniciados e que tenho como meta ampliar cada vez mais.

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