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São Paulo – Quem assistiu à palestra do publicitário Bob Schmetterer, chairman e CEO da Euro RSCG Worldwide, na abertura do segundo dia do 13º MaxiMídia, saiu com a certeza de que um novo modelo para a propaganda está surgindo a partir do que ele classificou de “A Era do Renascimento do Negócio da Comunicação e do Marketing”. A simplificação de tudo o que ele falou está na capacidade de reunir o “DNA do consumidor com o DNA de negócio”, utilizando-se do que chama da idéia criativa do negócio. E, para simplificar ainda mais, ele recomenda usar a parte direita (a da criatividade) do cérebro e a parte esquerda (a da razão) juntas. “Se fizermos isto, estaremos chegando ao cerne do negócio”. Por cerca de uma hora, o líder do sexto maior grupo de comunicação mundial ensinou a uma platéia atenta, de aproximadamente 600 pessoas, que o segredo deste novo negócio está em reunir criatividade e fundamentos empresariais para o desenvolvimento de estratégias de negócios vencedores.
Bob Schmetterer disse que é preciso deixar para trás estratégias baseadas nos 30 segundos e partir para algo novo, que transcenda a mensagem e que esteja sintonizado com os interesses do consumidor. Para o publicitário, os consumidores estão cada vez mais bem informados e conhecedores de tecnologias e produtos. Isto, segundo Schmetterer, torna os consumidores cada vez mais céticos e mais poderosos em relação a suas próprias decisões e customizam cada vez mais suas necessidades. “Eles gravam seus cds, definem e compram seus automóveis pela internet e estão cada vez mais difíceis de serem conquistados porque se convencem pelo que vivenciam e estão assumindo o controle do mercado. E é esta mudança de poder que está revolucionando o mercado”, alerta o executivo da Euro RSG do alto da sua experiência internacional.
Pensar em relacionamentos e não somente em comerciais de 30 segundos é a recomendação do defensor do pensamento criativo no negócio com parte da revolução que acontece na indústria da comunicação e do marketing, que é o renascimento de um setor assustado com os desafios de um novo perfil de negócio ainda pouco claro para a maioria dos publicitários e profissionais de marketing. Com uma palestra absolutamente recheada de conteúdo, Bob Schmetterer disparou conceitos como a necessidade de construir pontes entre o consumidor e uma marca e sobre a parceiria do pensamento criativo com a estratégia do negócio.
Bob, ao final de sua palestra, falou que o negócio central de uma agência de propaganda é a criatividade, mas sua proposta é que seja conciliada a capacidade criativa com a capacidade de pensar estrategicamente o negócio. “Em consultoria, por exemplo, não existe criatividade, apenas uma visão do negócio; logo, as agências precisam reconhecer a necessidade de ir além e aplicar idéias criativas em favor do próprio negócio”. Sobre remuneração, Bob Schmetterer disse que as idéias ainda são o grande ativo de uma agência e, portanto, “nós vamos ser pagos por elas. Se as idéias forem para o mercado, vamos nos remunerar pelo sucesso de vendas”, disse, acrescentando que é necessário levar a remuneração para outro nível.
E os obstáculos? Para o chairman da Euro, os grandes obstáculos para sua teoria ser vencedora são o medo da mudança, o realismo pragmático e a cultura de não-incentivo à criatividade, o medo do risco e do fracasso – inerente a qualquer idéia nova. Estamos vivendo a era das hipermudanças, onde é necessário criar parceirias empolgantes. A parceria do pensamento criativo e do estratégico sempre conectada com os interesses dos consumidores, falou o autor do livro “A Revolução Criativa na Estratégia do Negócio”, que aproveitou o maior evento da mídia brasileira para lançar sua obra no país.


