Sob protestos de setores da mídia (a Rede Band já fez esta manhã um forte editorial crítico), o Grêmio divulgou ontem o “Projeto Imprensa”, proposta de normatização de entrevistas dos dirigentes, comissão técnica e atletas com os veículos de comunicação nos dias de treinos e jogos. Segundo nota divulgada no site do clube, o projeto objetiva “uma maior facilitação e regulação no trabalho de comunicação, preservando interesses institucionais e proporcionando uma relação ainda mais harmoniosa e respeitosa entre os profissionais envolvidos”.
O documento limita horários e locais de atividades de entrevistas aos jornalistas – que fazem a cobertura diária no estádio -, além de estabelecer o agendamento prévio com a assessoria de imprensa do clube. Conforme o assessor do Grêmio, Sérgio Schueler, a normatização é simplesmente uma forma de organizar o acesso da imprensa a profissionais do clube. “Não existe restrição e nem impedimento em conceder entrevistas para a imprensa. O projeto não proíbe ninguém de dar entrevistas. Estamos fazendo o que normalmente acontece quando se quer entrevistar alguém, deve-se agendar com a assessoria”, salienta. O assessor explica ainda que os horários das entrevistas determinados no documento em dias de treino – os jogadores estão liberados até 20 minutos antes da hora marcada para o início dos trabalhos – servem para não retirar a concentração do jogador antes de entrar em campo.
Já o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do sul, José Carlos Torves, considera o projeto uma pré-censura a imprensa e salienta que as limitações não podem ser admitidas em nenhuma área. ” Condenamos totalmente estas regras. Além de estar interferindo na liberdade de expressão, isso é uma atitude autoritária e cerceará o trabalho dos jornalistas”, destaca. Torves diz ainda que o sindicato estará, juntamente com a Aceg, tomando medidas legais cabíveis para proteger o trabalho da imprensa.

