Cinco Perguntas

Cinco perguntas para Fernando Favaretto

Além de escritor, jornalista é diretor da Ufrgs TV

1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?

Sou o Fernando Favaretto, natural de Sério, um município pequeno do Vale do Taquari, mas moro em Porto Alegre há 22 anos. Atualmente, trabalho na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), como diretor da Ufrgs TV, uma televisão universitária, que é um grande projeto de aprendizado coletivo, um laboratório de exercício profissional e acadêmico. Sou professor, jornalista e escritor, e, integrando essas três formações/atividades, posso dizer que sou um entusiasta da educação – que pode se dar pela informação, pela criação, pela imaginação e pelos processos de compartilhar quem somos, o que sabemos e por onde andamos.

2 – Por que escolheu o Jornalismo?

Escolhi o Jornalismo pela força da palavra, pela admiração que sempre tive pela palavra – que informa, que orienta, que avisa, que constrói ou desfaz realidades, que dá voz, mas que também silencia. A palavra sempre me pareceu forte e onipresente, capaz de se configurar de muitas formas, de se adaptar às circunstâncias, de criar mundos, de dar nome aos fatos e às coisas. E a mesma palavra que precisa ser fiel aos acontecimentos, pode ser completamente infiel a eles, se explorada no campo da criação literária. Essa diferença entre o fato e a ficção, com todas as nuances que há entre as duas formas de trabalho, também me levou à profissão. Como já tinha uma formação anterior na área da Educação, a escolha pelo Jornalismo também veio como um modo de dialogar com o ensino, com a formação de profissionais, com o desejo de estar aprendendo, sempre.

3 – Em março, você lançou o romance ‘Sacadas, pra quê?’. De onde veio a inspiração para a história?

A inspiração surgiu muitos anos atrás, quando eu esperava pelo início de uma banca de mestrado de uma amiga. Naquele momento, houve um lampejo da história, porque olhei para um cartaz na parede da Escola de Engenharia, que me deixou curioso, e me fez pensar em muitas possibilidades sobre a pessoa de quem o cartaz falava. Depois, retomei esse embrião da história em função do momento político de 2018 e de toda sua carga de apreensão e de desconforto com aquilo que muitas pessoas estavam pensando, e dizendo, e fazendo. Na pandemia, já quase pronta, a história foi retomada e finalizada. Mas a inspiração veio disso, de um detalhe. Gosto de pensar que simples ações, atitudes corriqueiras, são feitas por pessoas comuns, que têm, no entanto, suas próprias complexidades, seus segredos, seus problemas, e que enquanto grandes decisões são tomadas, enquanto políticos assumem ou deixam cargos, represas explodem e prédios são bombardeados, as vidas ordinárias seguem, longe dos holofotes, mas extremamente valorosas e dignas, carregadas de suas próprias verdades. A criação das minhas histórias vem bastante dessas reflexões sobre o grande universo de sentimentos e de vivências que cada singela pessoa é.

4 – Como a Literatura surgiu na sua vida?

A literatura surgiu na minha vida desde muito cedo, por exemplo/incentivo dos meus pais, principalmente da minha mãe, que lia muito, e que contava muitas histórias. Depois, sempre estudei em ambientes que valorizavam a leitura, e com o passar do tempo fui encontrando nas histórias, nos romances, nas narrativas de ficção, formas de me entender, de me conhecer, e de conhecer o mundo. Na adolescência, que foi um período complicado da minha vida, por razões que, inclusive, inspiraram meu segundo livro, foi a literatura que me abraçou quando eu não encontrava quem me ouvisse, ou me orientasse. A literatura ajuda a entender e explicar o mundo e as pessoas, permite que tudo seja dito ou revelado, que o impossível ganhe ares de verdade e que a verdade possa ser recontada como mentira, além de contribuir como registro documental de uma época.

5 – Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?

Daqui a cinco anos espero seguir trabalhando com Educação e Comunicação, explorando as potencialidades do Jornalismo como promotor de ensino e de aprendizagem, seja na universidade ou em algum outro espaço que permita e promova a liberdade de ação e de produção. Também espero que, em cinco anos, tenha conseguido contar mais histórias, inventar mais modos de ser e de estar no mundo, por meio da ficção.

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