A trajetória de Petrônio Corrêa, um dos fundadores da MPM, agência que marcou época na publicidade brasileira, está registrada no livro ‘No Centro do Poder’, da jornalista Regina Augusto. Parte de uma geração em que a publicidade nada tinha de glamourosa – estabelecimentos comerciais chegavam a apresentar placas proibindo a entrada de “pedintes, vendedores e publicitários propagandistas” -, Petrônio trabalhou pela profissionalização e valorização da propaganda no Brasil. A obra será lançada nesta quinta-feira, 22, em São Paulo, e no dia 29 em Porto Alegre, em sessão de autógrafos, às 18h30, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country.
Natural de Santo Ângelo e de origem modesta, abriu caminhos na Capital onde fundou a MPM, juntamente com Antonio Mafuz e Luiz Macedo. Por quase duas décadas, a agência foi a principal do País, chegando a ter sedes em 13 cidades e quase mil funcionários. Também contribuiu para a criação do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), em 1980, o Instituto para Acompanhamento da Publicidade (IAP), em 1997, e o Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp), em 1988.
No livro, a autora sugere que a habilidade política de Petrônio para viabilizar acordos foi um dos fatores responsáveis pela rápida ascensão da MPM. Macedo era sobrinho de João Goulart, o que, com a deposição de Jango pelo regime militar, fez com que as pessoas próximas ao ex-presidente se tornassem suspeitas. A MPM passou por um inquérito policial militar, mas os sócios conseguiram reverter a situação, através de seus relacionamentos. A agência chegou a ter 60% de sua receita representada por contas públicas, em uma época em que não havia licitações. Na década de 1970, a MPM também foi pioneira como agência full service, ao incorporar as áreas de relações públicas, promoção e eventos.
Em 2001, uma década depois da venda para a Lintas, o nome MPM foi comprado pelo publicitário Nizan Guanaes, que tentou ressuscitar o negócio em 2003, sem sucesso. Sempre reconhecido por seu potencial negociador, Petrônio hoje se diz arrependido pela venda da agência. Aos profissionais e estudiosos da área, a autora deixa uma provocação: Como deverá se reinventar a propaganda para continuar relevante neste novo contexto, num momento em que o próprio sistema econômico está sendo repensado?.A publicação é da Editora Livros de Safra.



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