Pela certidão de nascimento ele é Paulo César Pinheiro Flores de Santos, mas, como ele próprio diz, o nome de guerra mesmo é “PC Flores”. A determinação, aliada à garra de vencer e muita dedicação, sempre foi guia para PC trilhar a sua trajetória profissional, que já estava praticamente definida nos primeiros anos de vida. Movido por uma “inquietude intelectual”, PC nunca hesitou em ir atrás dos seus verdadeiros sonhos, mesmo sabendo que para isso seria necessário enfrentar muitos obstáculos pela frente. “Eu sempre me jogo de cabeça nas coisas, se é pra fazer, vamos fazer. Me considero um legítimo operador da comunicação”, revela ele, que há nove anos é o assessor de Comunicação do Sebrae no Rio Grande do Sul e, agora, passa a coordenar também a área de Marketing e Eventos da entidade. O jornalismo já estava presente em sua vida, literalmente, “desde o berço”. Filho do jornalista Robson Flores e sobrinho do também comunicador Paulo Flores, PC afirma que não se lembra de pensar em fazer outra coisa na vida que não tenha sido seguir a carreira de jornalismo. “Uma das primeiras lembranças que tenho na vida é dentro da redação do jornal A Razão, do qual meu pai era diretor de redação. Por isso, toda minha infância e adolescência foram ligadas a essa profissão. Não tinha como seguir outro caminho”, recorda. Formou-se em Jornalismo pela Famecos (PUCRS), na década de 70. Mas a primeira experiência na área foi aos 18 anos, no início da faculdade, como assistente de clipagem na assessoria de imprensa da Secretaria de Indústria e Comércio, onde atuou por 10 anos. Lá, teve a oportunidade de conviver e aprender com jornalistas experientes, fato que PC considera fundamental para sua formação profissional. “Aquele momento foi muito rico para mim, pois ali aprendi mesmo a atuar como assessor de imprensa”, avalia.
Vestindo a camiseta…
Na década de 80, PC foi convidado pela jornalista Ione Vieira para assumir o departamento de assessoria de imprensa do Grêmio Náutico União. “Foi como um casamento, até porque já era ligado ao clube em virtude de praticar esportes. Eu sempre fui muito inquieto, tanto intelectual quanto fisicamente. Fazia tudo ao mesmo tempo. Vi ali uma oportunidade de unir duas atividades prazerosas. E realmente foi uma experiência fantástica”, conta PC, que foi o primeiro assessor de imprensa na história do União. O jornalista atuou lá por quase uma década, tendo acompanhado todas as transformações, modificações e crescimento do clube. “Eu tive o privilégio de participar do processo de profissionalização do União. Isso contribuiu muito para minha trajetória profissional”, destaca. Ele deixou sua função no clube para assumir a assessoria de imprensa da Ajorsul (Associação das Joalherias e Óticas do Rio Grande do Sul), na qual atuou durante sete anos. Em 1989, PC casou com Marina e teve a primeira filha, Paula. O casamento trouxe grandes mudanças na vida de PC, que, com isso, decidiu procurar uma nova oportunidade profissional. Por coincidência, no mesmo período, foi convidado pelo presidente da Associação Comercial de Porto Alegre, na época, Anton Karl Biedermann – com quem já havia trabalhado anteriormente no Clube União –, para atuar como assessor de comunicação da entidade empresarial. “O trabalho foi um upgrade na minha carreira, pois o cargo já tinha sido ocupado por jornalistas renomados. Aquilo foi muito importante para o meu crescimento profissional e pessoal”, diz. Como em todas as outras atuações, PC “baixou a cabeça e colocou as mãos na massa”, concentrando todo os esforços na realização daquela atividade. “Abracei todas as causas do setor empresarial. O momento mais marcante e gratificante foi a criação do Jornal da Federasul. O trabalho tinha independência editorial e permitiu que eu imprimisse os conceitos de jornalismo mesmo dentro de uma entidade”, destaca. Em 1996, PC iniciou “outro grande momento” de sua vida profissional. A convite novamente de Biedermann, o jornalista assumiu a assessoria de imprensa do Sebrae no Estado. PC revela que esses nove anos de atuação como assessor da entidade, além de estarem sendo gratificantes, valerão por toda sua carreira, especialmente por ter aprendido conceitos de administração e de gestão. “Geralmente, nós, jornalistas, não temos domínio desses assuntos de gerência. Isso valeu por tudo”, confessa. Há menos de um mês, PC acumula também a função de coordenador da área de Marketing e Eventos do Sebrae.
Os ares de São Chico
Casados há 16 anos, além de Paula, 15 anos, PC e Marina tiveram João, de 13. Nos fins de semana, o refúgio da família é São Francisco de Paula, onde tem uma casa há cinco anos. Lá, além de descansar e relaxar, PC aproveita para praticar uma das grandes paixões: cavalgar. A atividade já é considerada um hobby para o jornalista, que dispõe de todos os aparatos para a prática. “Sou aficionado por cavalgadas. O meu filho também gosta e aí realizamos juntos os passeios. Tenho ainda um grupo de cavalgada aqui em Porto Alegre. É muito interessante, porque sempre organizamos roteiros diferentes”, explica PC, destacando como um dos melhores passeios a “Cavalgada da Neve”, quando, junto com mais de 100 cavaleiros, percorreu 300 quilômetros, de São Francisco de Paula até Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina. Em alguns fins de semana, PC diz que tem que colocar em prática a “arte da negociação” com os filhos para poder reunir toda família em São Chico, apelido carinhoso com que se refere à cidade. “Como estão na fase da adolescência, eles querem ficar em Porto Alegre para irem em festas, boates e shoppings. Aí eu começo a negociar. Caso contrário, tenho que me render e ficar com eles aqui ou vou somente com a Marina”, brinca PC. Como atividade física, PC revela que “como todo grande esportista” – referindo-se ao período em que praticava diversos esportes ao mesmo tempo –, hoje simplesmente não faz nenhum exercício físico, a não ser o de andar a cavalo. Nas horas de folga, além de assistir a filmes, PC descansa a mente com “leituras prazerosas”. As preferências são bem ecléticas, vão desde “bula de remédio” até livros técnicos mais complexos. Na cabeceira, está “Os Templários”, de Piers Paul Read. A leitura dos jornais é realizada diariamente, na primeira hora do seu dia, às 6h. “É um hábito que tenho, eu recebo o jornal e já leio. Não posso ficar sem ler. Eu já caminhei 10 quilômetros na praia para achar um lugar que pudesse comprar algum jornal”, relembra PC. “Acreditar e ver as coisas pelo lado positivo”. Essas são as principais qualidades de PC, que afirma ter se apoiado muitas vezes nessas características para tomar decisões na vida. Já como defeito, lamenta que a ansiedade é o ponto fraco e que, às vezes, ela acaba prejudicando o desempenho das atividades. “Eu sou ansioso demais. Chego a falar pra mim mesmo até: “PC, conta até 10 e depois tu faz”. Mas não adianta muito”, confessa ele, destacando que já melhorou nessa questão, à medida que vai ficando mais velho. “A própria idade (51 anos) traz mais tranqüilidade e controle de nossas ações”, diz PC dando risada. Porém, PC revela que para manter o equilíbrio pessoal e profissional se detém mesmo na sua grande filosofia de vida: “Ninguém vive impunemente à delícia dos extremos”, recita. PC equipara a frase com o que, para ele, significa a essência do jornalismo. “A gente tem que ver os dois lados da história. Sempre haverá duas versões”, enfatiza.

