Maria Isabel Alves de Campos nasceu em Porto Alegre em 11 de dezembro de 1949. Um desenho de uma casinha rabiscada numa folha de papel que ela chamava de “Casa da Balala” deu origem ao apelido que virou a marca da jornalista. “É o que meu pai conta”, explica. “Ele disse que isso foi lá pelos meus três anos de idade e desde então me conheço por Balala”. Dona de uma voz forte e agradável e de uma facilidade em se comunicar, Balala Campos construiu uma rica trajetória jornalística. Passou pela televisão, rádio, jornal e assessoria de imprensa. Pode-se dizer que ela experimentou de tudo na profissão e soube aproveitar cada momento.
Filha da dona-de-casa Vininha e do advogado Lélio Candiota de Campos, tem sete irmãos. Cresceu em uma casa grande, no bairro Petrópolis, onde os pais vivem até hoje. “Tive uma infância muito alegre e afetuosa. Adorava as brincadeiras no pátio e na calçada e as reuniões dançantes que eu e minhas irmãs fazíamos lá em casa”, recorda. Preocupado com a educação dos filhos, o pai impunha que cada um se dedicasse a uma língua e a um instrumento. Ela optou pelo francês e aprendeu a tocar piano. “Hoje só arrisco um violão e canto, adoro cantar”.
Filosofia e jornalismo
Embora tivesse todas as características que pudessem indicar um caminho profissional voltado à Comunicação, o primeiro vestibular que prestou foi para Filosofia Pura, na Ufrgs. Entrou na Universidade aos 17 anos e aos 19 resolveu conciliar os cursos de Filosofia e Jornalismo. “Sou absolutamente espontânea, extrovertida e adoro escrever. Não cheguei a exercer a filosofia profissionalmente, mas o curso serviu para que eu desenvolvesse capacidade de raciocínio, aprofundamento e debate que uso muito no jornalismo”, explica.
A primeira experiência profissional foi em 1972, como estagiária da Rádio Caiçara. Em 1974, já com o diploma na mão, foi para a Zero Hora, onde atuou como repórter de música no Caderno de Cultura. Paralelo ao trabalho no jornal fazia assessoria de imprensa para a OSPA. “Sempre procurei pautar minhas atividades aliando veículo e assessoria de imprensa”, conta a jornalista. Em 1980, a convite de Célia Ribeiro, fez um teste para substituí-la durante um período no Jornal do Almoço. Não só foi escolhida para fazer a substituição como, seis meses depois, passou apresentar o programa TV Mulher. “O programa era nacional e ia ao ar das 8h às 12h, apresentado pela Marília Gabriela, mas dois blocos eram locais, feitos pela RBSTV”, conta a jornalista. Foram quatro anos comandando a atração juntamente com José Paulo Bisol. “O programa fazia tanto sucesso que, um tempo depois, estreamos o “Balala e Bisol” pela Rádio Gaúcha”.
Para dar conta do trabalho na rádio, na TV, no jornal e como assessora de imprensa, a jornalista abria mão de uma boa parte da vida pessoal. O jeito foi se desligar de uma das funções e a descartada foi a Zero Hora. “Fiz a grande bobagem de me demitir. Eu adorava a Zero Hora e adoro até hoje”.
Aprendendo sempre
Em 1985, a Globo pôs fim ao TV Mulher, ocupando a programação da manhã com o “Xou da Xuxa”. “Fizeram uma pesquisa e descobriram que, pela manhã, havia mais crianças assistindo TV do que mulheres”, explica. Balala saiu da RBSTV mas continuou na tela em outras emissoras. Passou pelos programas Câmera 2, na TV Guaíba; Pampa Manchetes e Pampa Debates, na TV Pampa; Debates Culturais, na TVE; Bibo no 20; e em 1999, teve uma rápida experiência com um programa próprio no Canal 20. “Não tinha muita segurança em comprar e vender espaço então resolvi largar o vídeo e me dedicar exclusivamente à minha empresa”.
Além dos veículos de imprensa, a jornalista passou pelas assessorias de comunicação da Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul), do Senai/RS, do Instituto dos Advogados do Rio Grande do Sul, e Ospa, que ela atende até hoje com a Balala Campos Assessoria em Comunicação. Criada em 1998, a empresa é comandada por Balala, com o apoio da filha, a publicitária Joana de Campos Quintana, que é sócia da empresa, e da jornalista Cristina d”Azevedo. Entre os principais clientes da empresa estão Ventos do Sul (parques eólicos);a distribuidora de petróleo Latina; Sindicato de Revendedores de Combustíveis e GBOEX. “Por enquanto é uma empresa pequena porque gosto de atender pessoalmente meus clientes. Claro que quero que ela cresça, mas prefiro investir em um crescimento com solidez e preservação da alta qualidade”, afirma.
Sempre preocupada em buscar novos conhecimentos, voltou à sala de aula. Está cursando pós- graduação em Comunicação Estratégica no IPA/Fundatec (Fundação de Apoio do Centro Universitário Metodista). “Trata-se de um curso com o objetivo de formar gestores em comunicação com uma visão geral e integrada do setor em todas as suas especialidades: marketing, relações públicas, imprensa e publicidade”.
Pelas ruas do Moinhos
Há dois meses a jornalista inaugurou um novo escritório no Bairro Moinhos de Vento, a duas quadras do endereço residencial. “Adoro esse bairro. Me sinto numa vida muito confortável e gratificante”. E é pelo Moinhos de Vento que ela gosta de aproveitar também seus momentos de lazer. “Adoro caminhar pelo Parcão e sentar com minhas amigas numa dessas cafeterias do bairro em dias bonitos”, revela. “A melhor coisa é conversar com amigos”. Nas horas de folga ela cultiva também a relação com as filhas Joana, de 30 anos, filha do casamento com o jornalista Sérgio Quintana, e Laura, 14 anos, filha do segundo casamento com o psicanalista Geraldo Linn.
Quando consegue se ausentar por um período um pouco maior da empresa, estão em seu roteiro viagens a Buenos Aires, Punta De Leste ou Torres, onde a família mantém um apartamento. Quando o assunto é gastronomia, destaca a paixão por carnes. “Gosto de comidas simples mas bem elaboradas e jamais seria vegetariana, isso seria um castigo”. Na literatura prefere títulos ligados à filosofia e que proporcionem algum tipo de reflexão. Amante de boa música, destaca os tradicionais nomes da MPB como Chico Buarque, Caetano, Gilberto Gil, Tom Jobim e Edu Lobo, além de música clássica.
Acredita que o sucesso só é alcançado com muita dedicação, persistência, prazer no que se faz, talento e uma certa dose de sorte. “Tive a oportunidade de entrevistar grandes personalidades como Mário Quintana, Rubem Braga e Fernando Sabino e sempre perguntava a eles o quanto tinha de esforço e quanto tinha de talento para ser escritor. A resposta era sempre: 90% de esforço e 10% de talento”. E é isso mesmo, na vida o talento puro e simples ajuda mas não carrega, é preciso muita dedicação”, conclui.
Para o futuro pretende investir cada vez mais na empresa, e não descarta a possibilidade de escrever um livro para reflexão, ligado à filosofia. “Quem sabe quando eu encontrar algumas idéias, dentro das minhas buscas, que possam ser úteis para alguém”. Tem duas dicas para um vida feliz: alegria e alto-astral. “Acredito que quem está leve, de bem com a vida, espalha uma energia boa e energia é uma coisa que vai e volta. Tu sorri pra vida e podes ter certeza que ela vai sorrir pra ti”.

