O especialista suíço Moritz Wuttke comentou a briga dos jornais com sites de busca, como o Google. Um dos dilemas é o fato de os veículos receberem menos pela venda de espaço publicitário em suas páginas on-line do que no impresso. Segundo Wuttke, há uma tendência de aumento do valor do anúncio virtual, que há quatro anos equivalia em média a 10% da propaganda impressa e hoje chega a 15%.
“A principal razão deste aumento é que a propaganda on-line está ficando mais dirigida. Além disso, quando o leitor faz uma compra ou fornece um endereço eletrônico ao anunciante, é possível medir o retorno real do investimento.” Wuttke dá razão à Associação Mundial de Jornais na disputa com agregadores de notícias, como o Google News, sobre o pagamento pelos direitos autorais do conteúdo que utilizam. “O argumento deles é que geram tráfego para o material jornalístico. Mas, se você examinar com cuidado, esses sites se tornam uma plataforma de leitura de notícias, que as pessoas não deixam porque podem ler toda a informação ali, sem ir à fonte.”
Segundo o especialista, duas alternativas têm sido propostas: ou, depois de um pequeno número de linhas, o leitor é transferido para a página do veículo que produziu a notícia, ou o site paga para mostrar o artigo completo. “Nesse caso, o agregador precisa dividir com o jornal parte da receita que gerou.” Por outro lado, ele não acredita em uma solução amigável. “Tenho dúvidas se aceitarão um acordo que torne rotina o pagamento de direitos autorais divididos, a menos que sejam forçados por um tribunal a fazer isso.”
Sobre a queda de circulação de jornais tradicionais nos EUA e na Europa, Wuttke afirma que novos veículos devem ser desenvolvidos, nas regiões metropolitanas, para atrair as novas gerações. “Têm que ser produtos adaptados em conteúdo, hábitos de consumo e capacidade de pagamento, porque os jovens não estão habituados a pagar. Mas todos circulam em transporte coletivo, para trabalhar, para estudar, e gostam de ler nesse tempo.” Em mercados em desenvolvimento, onde mais pessoas têm necessidade de informação, ainda há um “ambiente ótimo” para o aumento da circulação do jornal impresso. Mas ele opina que deve haver investimento em noticiário local.


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