Perfil

Maria Amélia Cruz: Vocação para o relacionamento

Dedicada a lutar pelas competências exclusivas dos relações-públicas, a profissional assume a presidência da Conrerp

É distribuindo simpatia e com uma certa timidez que a relações-públicas Maria Amélia Maneque Cruz interrompe a sessão de fotos do perfil para começar a abrir o coração. Aos 42 anos de idade, acaba de receber o desafio de presidir o Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas da 4ª Região (Conrerp RS/SC). Conquista que, hoje, é comemorada por toda a família, mas não foi sempre assim.

Por influência do pai, Paulo Fernando Torelly Cruz, engenheiro mecânico, corretor de imóveis e administrador de empresas, Ana Amélia foi cursar Administração de Empresas na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em 1990. No primeiro contato profissional, estagiou na área de vendas e marketing, e se encantou pela comunicação. Quis o destino que já no segundo estágio fosse trabalhar diretamente com a área de Relações Públicas, e então descobrisse sua verdadeira vocação.

Assim, já estava com quase 30 anos quando resolveu prestar vestibular para Comunicação. Por um ano cursou simultaneamente as faculdades de Administração e Relações Públicas, até decidir continuar só com a segunda opção. Quando se formou, em 2000, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), se apaixonou pela profissão e por todo o universo de contatos que ela oferece. Como sempre gostou de estudar, foi fazer Mestrado na área, e em 2007 tornou-se mestre em Comunicação, pela Unisinos.

Desde criança, Amélia sempre foi muito comunicativa, tanto que, certa vez, a mãe foi chamada à escola porque ela falava demais. O psicólogo indicado pela professora diagnosticou que a menina estava muito bem e que era normal ser comunicativa. “Ele ainda disse para minha mãe que provavelmente eu me tornaria uma jornalista ou alguém da comunicação quando crescesse”, destaca.

Das lembranças da infância traz, ainda, as férias vividas em Gramado e Canela, uma vez que os pais não gostavam muito de praia e acabavam passando os verões na Serra gaúcha. Foi apenas na adolescência que a jovem e a irmã, quatro anos mais nova, Martha, acabaram frequentando o Litoral.

Martha, que é arquiteta e morou por um período na Índia, especializou-se como artesã e, de volta ao Brasil, está trabalhando em parceria com a mãe, a decoradora Marília Meneque Cruz. Amélia, por sua vez, também está desenvolvendo um trabalho com ambas. “É o lançamento do site para o Atelier que está completando 25 anos, mas como dizem que santo de casa não faz milagre, quero ver se conosco acontece de uma forma diferente”.

Pela ética e pela justiça

Uma de suas qualidades é a fidelidade a amigos e amigas, com quem gosta de conviver, além da família é claro. É comum vê-la acompanhada de alguns deles nos cinemas, assistindo a filmes que tragam alguma mensagem para a vida, como os do cineasta e ator Pedro Almodóvar, e nos bares da Padre Chagas e da Cidade Baixa.

A televisão também é uma eterna companhia. Maria Amélia fica ligada nas novelas e programações novas, sempre atenta nas mensagens que a mídia tenta passar para o telespectador. Já o gosto pela leitura passa pelos assuntos da área de comunicação e televisão, e pelos romances espíritas, que considera fontes de inspiração e de tranquilidade. Dos livros que marcaram sua vida, destaca O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry e O Príncipe, de Nicolau Maquiavel. “Mas o que eu não consigo mesmo é desgrudar da internet. Sempre que posso, estou ‘fuxicando’ no Orkut, no Facebook e atualizando o meu blog”, confessa.

O gosto pelo bordado e por jogos de videogames já se transformou um hábito em sua vida. Atualmente, sua mania é o FarmVille, um simulador de fazenda em tempo real disponível como um aplicativo no site da rede social Facebook. O jogo permite que os membros da rede possam gerir uma fazenda virtual, que inclui o cuidado com os animais e o plantio, cultivo e colheita de diversas espécies de árvores. “Isto me ativa a criatividade e me deixa mais centrada”, afirma.

Considerando-se uma pessoa muito ética, e que tem opinião formada, a relações-públicas diz que gosta de atitudes corretas e que é engajada nas lutas contra as desigualdades. Tanto é verdade que já organizou movimentos e caminhadas pela paz e contra corrupção. Na época, lembra que eram atitudes apartidárias, mas hoje é filiada ao PDT. Encantou-se pelo partido, em 2008, após trabalhar na campanha do amigo Márcio Bins Ely, atual secretário do Planejamento de Porto Alegre, e desde antão acompanha as iniciativas do partido.

Profissão RP

“Minha trajetória foi sempre muito ligada à arquitetura”, aponta Amélia, que começou a atuar na área de Relações Públicas em 1996, fazendo estágio na Casa Cor com o arquiteto Moacyr Kruchin. “Ele brincava que não queria qualquer recepcionista, queria uma estagiária de Relações Públicas, como diferencial para apresentar o espaço na Mostra de Decoração”.

Nos outros anos do evento, até 1999, passou a se dividir entre os espaços do Kruchin e dos arquitetos Miriam Sermilina e Gustavo Camargo que eram sócios. Com isto, a jovem acabou encarando o estágio como uma grande oportunidade para a carreira.

Depois de formada, foi convidada por Gustavo Camargo, que estava desfazendo a sociedade, a trabalhar como assessora de comunicação. Ficou por lá até o ano de 2005, quando decidiu ingressar no Mestrado. A oportunidade surgiu enquanto fazia alguns trabalhos de lançamento de livros para a Unisinos.

Desde a conclusão do mestrado, em 2005, trabalha como profissional liberal nas áreas de posicionamento, comunicação interna e com pesquisa de Cliente Oculto. Com as atribuições de presidente do Conrerp, que realiza de forma voluntária, Amélia divide seu tempo entre as duas atividades. A decisão de concorrer à presidência surgiu quando estava desenvolvendo um trabalho para a Prime Design. Como precisou apresentar um orçamento, e a categoria não possui sindicato, a relações-públicas acabou procurando o Conrerp. Ao conversar com a ex-presidente Marta Busnello Alves, surgiu a ideia de reativar o sindicato. A iniciativa ocorreu em setembro, na mesma época em que começaram as convocações para a eleição de nova diretoria do Conselho. Incentivada por Marta, acabou formando a Chapa Renovação para a gestão 2010-2013. A chapa única venceu com 80% de aprovação.

No dia 5 de janeiro foi empossada, com os demais conselheiros eleitos, para lutar pelas competências exclusivas dos relações-públicas. “Não queremos inventar a roda, mas sim conscientizar os registrados da importância da fiscalização e da valorização da categoria”. Dentre os desafios, pretende zelar pelo prestígio da profissão, pela dignidade do profissional e pelo aperfeiçoamento das instituições. Para isto, pretende incrementar as ações junto às Universidades visando ampliar o número de profissionais registrados. “Queremos criar comissões especiais para trabalhar a valorização dos profissionais registrados junto ao Conselho, e, assim, cumprir e fazer cumprir os preceitos éticos e legais da profissão”, revela.

Amélia desabafa que o fato de ter que explicar o que o profissional de relações-públicas faz é um grande desafio. “O jornalista tem a reportagem; o publicitário, a propaganda. Até explicar que quem organiza tudo é o RP é complicado e um desafio diário que enfrentamos com os clientes e com a sociedade”. Para a próxima década, espera que esta visão restrita da área já esteja superada e almeja mais uma vez ingressar no mundo acadêmico, mas, desta vez, como professora.

Imagem

Autor

Patrícia Castro

Compartilhar:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.