Perfil

André Arnt: Estrategista da Comunicação

Administrador de empresas conta como acabou migrando para o Marketing e revela-se apaixonado pelas teorias da Comunicação

Profissional dedicado, crítico e com um humor irônico, o professor e consultor de empresas André Arnt, define-se um político por essência, assume ser de direita, e, mesmo não declarado, é considerado um colorado fanático por alunos e colegas de trabalho. “Para mim, o futebol é um azeite das relações sociais”, diz.

Nascido e criado no bairro Moinhos de Vento em Porto Alegre, André é o filho mais velho do representante comercial Sílvio Paulo e da dona de casa Maria de Lourdes. Irmão da procuradora do Estado, Adriane, viu na Administração uma possibilidade de desenvolver seus talentos.  Antes, porém, chegou a cursar dois anos em Engenharia de Minas e Metalurgia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).  A opção, segundo ele, foi orientação dos pais. “Hoje eu sei que a hora de dizer não é muito importante, mas na época não tinha esse vislumbre e achava que a Engenharia seria uma boa perspectiva para mim”, conta.

Sua paixão, porém, sempre foi estar junto do poder decisório das empresas. Sentia que através da Administração o caminho seria mais curto, e foi. Arnt teve uma ascendente carreira como executivo das empresas Adubos Trevo e Plumo Mineração e Metalurgia. Antes foi estagiário na Gerdau, Forjas Taurus e Zivi Hercules. Nestas companhias trabalhou com recursos humanos, treinamento e desenvolvimento de pessoal, e acabou migrando para o Marketing. “O grande prazer que eu tenho na vida é pensar negócios”, diz Arnt, que dedicou 12 anos de sua carreira a vida executiva dentro de empresas. Seus grandes referenciais nesta área são os executivos Eduardo Mância (falecido) e Paulo Bulamarque.

Cultura, informação e bom humor

Em função de suas características voltadas ao Marketing acabou gerenciando as áreas comerciais das empresas Adubos Trevo e Pluno Mineração e Metalúrgica, o que o levou a mudar-se algumas vezes. Arnt morou em Goiânia, Ijuí e São Paulo em função do trabalho. Quando já estava de volta a Porto Alegre, foi convidado por Sérgio Checchia, na época diretor da Escola Superior de Propaganda e Marketing em Porto Alegre (ESPM-RS), para dar eventuais aulas na pós-graduação de Marketing. Acabou permanecendo na instituição por nove anos. Na ESPM, foi coordenador dos cursos de pós-graduação e, com o início das turmas de graduação, passou a dar aula nas duas. Também ajudou a criar o MBA em Marketing e Gestão da escola.

Na mesma época, iniciou as atividades na sua empresa de consultoria, a Suxias Assessoria Empresarial. Mas, como suas atividades na ESPM cresceram, precisou deixar a consultoria um pouco de lado. Como professor sua preocupação maior sempre foi levar questões do mercado para a sala de aula. “Uma das coisas que mais me frustrava quando estudei Administração era a falta de experiência prática dos professores. Eles não tinham vivência profissional”.  Decidiu que, se um dia lecionasse, faria diferente. “O professor André é ágil, extremamente culto e bem informado. Suas aulas são uma mistura de cultura, informação e bom humor. Do tipo que prende a atenção dos alunos”, diz a jornalista Cleidi Pereira, que foi aluna de André Arnt na cadeira de Gestão da Comunicação, no curso de Jornalismo do IPA.  

Dar aulas não foi uma surpresa na vida do executivo que já ministrava cursos e treinamentos internos nas empresas onde trabalhou. Durante o período em que esteve na ESPM percebeu que a escola não falava para comunicadores, mas para marketeiros. Foi quando decidiu cursar cadeiras do Jornalismo em seu mestrado para conseguir entender o Marketing pelo viés da Comunicação. “Meu hobby hoje é ler livros sobre teorias da Comunicação. Sou fascinado pela hipótese da espiral do silêncio”, exemplifica. Arnt foi aluno de mestres como Juremir Machado, Jacques Wainberg e Antônio Hohlfeldt. “Minha aproximação com a Comunicação foi justamente para entender algumas coisas em que o Marketing não estava me convencendo”, explica.

ColetivaEAC

Quando deixou a ESPM, em 2004, Arnt recebeu o convite para lecionar no Centro Universitário Metodista – IPA. Lá, é professor nos cursos de Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Administração de Empresas. Seu tempo também é dividido com as atividades frente à ColetivaEAC – Estudos Avançados em Comunicação, Marketing e Opinião Pública, da qual é sócio-diretor, e algumas consultorias que ainda presta na área de Marketing. “Um amigo me apresentou para o Fuscaldo (José Fuscaldo, sócio-diretor do Portal Coletiva.net), nós conversamos e decidimos fundar o ColetivaEAC, com cursos voltados para a área de Marketing e Comunicação”, conta. Em 2005, lançaram o primeiro curso de Marketing Político.

No ano seguinte, a ColetivaEAC lançou-se ao mercado com outros cursos na área. “Minha função principal na escola é estudar o mercado e identificar as demandas”, explica. A ColetivaEAC prepara-se agora para lançar, em parceria com a Esade, seu primeiro curso de pós-graduação em Comunicação Empresarial.

Sem neutralidade

Assumidamente de direita, Arnt declara-se anti-petista juramentado. “Tudo o que é bom para o PT é ruim para o Brasil”, dispara. Em sua opinião, não existe país no mundo que tenha saído do chão com uma política como a do PT. Adepto da transparência costuma deixar claro para os alunos, já no primeiro dia de aula, qual sua posição política: “Veja bem, eu não estimulo ninguém a ser de direita, apenas acho mais justo ter uma posição do que fingir neutralidade”.

Arnt também é transparente na hora de responder para que time torce. “Desde pequeno, lembro de ir no Beira-Rio ver o inter jogar”. Apesar disto, vem dizendo aos colegas de trabalho que virou gremista. É que para conseguir comprar uma camisa do Grêmio, que daria de presente a um afilhado, filiou-se ao Exército Gremista (fã clube do time tricolor), já que a filiação era sem ônus algum e dava direito a um desconto de 50% na compra. Mas aproveitou a chance para “cornetear” os torcedores do time rival. Irônico, destaca que não consegue compreender o motivo pelo qual as pessoas estão se mobilizando para assistir à Copa do Mundo, se o Internacional não vai jogar. “Troco qualquer jogo da Seleção Brasileira por uma partida entre Inter e Pelotas”, afirma, com a tradicional ironia.

Sua paixão pelo Internacional só divide espaço com gosto por vinhos. “Costumo dizer que construí uma adega com uma casa de veraneio em volta, e não ao contrário”, brinca para exemplificar seu apreço pela bebida, que faz parte de suas atualizações de leituras.

Família

Aos 48 anos, casado há 20 com a nutricionista Ângela, e pai de Maria Laura, 16, diz que ainda tem muito o que conquistar. “Quero realizar mais tanto como empresário, como pai e marido”, comenta. Mesmo com uma rotina intensa de aulas e consultorias, procura almoçar com a esposa e a filha pelo menos três vezes por semana. Quando dá, também gosta de levar a família para passar o fim de semana na praia.  

Estudioso dedicado, André confessa que procurou preparar a filha Maria Laura para se tornar uma profissional diferenciada no mercado. “Admito que tenho expectativas altas em relação a minha filha”, diz. Caloura de Direito da Ufrgs, Maria Laura parece ter assimilado os conselhos do pai. “Desde criança ela foi muito estimulada por mim e pela mãe. Apesar da pouca idade é uma menina de muita opinião”, diz o pai orgulhoso.

Durante algum tempo, a filha chegou a pensar em ser jornalista, mas um familiar disse que a menina morreria de fome nesta profissão e ela acabou optando pelo Direito. Arnt discorda da opinião do familiar. “Estamos vivendo a era do Jornalismo. Com o advento da internet, a gestão da informação e a produção de notícias passaram a ser algo importante neste novo milênio”, avalia.

Leitura em dia

Leitor voraz, há cerca de sete anos, procura ler no mínimo um livro por mês. “O prazer que algumas pessoas têm em comprar roupa eu tenho com livros”, conta, reconhecendo que foi muito estimulado pelos professores em seus primeiros anos de estudo no Colégio Farroupilha. “Lembro que quando a biblioteca do colégio foi inaugurada, fui o aluno que retirou mais livros naquele ano”. Atualmente, lê A Breve História do Mundo e A Breve História do Século 20, de Geoffrey Blainey, e adora ler Agatha Christie antes de dormir. Entre seus escritores preferidos também inclui Mario Vargas Llosa, Gabriel García Márquez e Jorge Luis Borges.

Como habitualmente dorme apenas cinco horas por noite, André também consegue encontrar tempo para praticar outras atividades de lazer, como a corrida, pelo menos quatro vezes por semana, escutar a rádios Bandeirantes e  Gaúcha e ir ao cinema.

Crítico, Arnt avalia a situação atual do mundo como um momento em que todo todos têm que emitir opinião sobre tudo. “Acho isso válido, mas que as pessoas se preparem. Que a opinião não seja algo vazio”. Segundo ele, o amor pela busca do conhecimento deve ser tão grande quanto a vontade de opinar.

Como lema de vida, segue uma máxima do tango: “Na dança, quando tu erras tem que continuar dançando. Não pode parar. Na minha vida faço isso. Se eu erro, não me deixo abater. Reconheço que errei e sigo em frente”.

Autor

Vanessa Bueno

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