Elegância não é a única característica que marca a personalidade de Rossani Thomas, a editora de Geral de Zero Hora, e é com demonstrações de afeto e respeito por sua família que vai revelando o amor que sente pelos pais, pelo marido, pelas filhas, pela profissão. Dona de uma fala mansa e de uma energia contagiante, esta porto-alegrense nascida em 20 de setembro de 1962 se revela ainda uma pessoa curiosa e determinada. Conforme conta, a escolha de seu nome aconteceu de uma forma improvisada. “Meus pais tinham escolhido Rosane, mas na hora de registrar, o escrivão perguntou se era com ‘i’ no final e meu pai, que foi quem fez o registro, respondeu que sim, ‘com i e dois esses’. Virei Rossani na hora, por impulso e gosto dele”.
Considera o pai, o proprietário de fábrica de móveis Edegar Silveira da Rosa, uma pessoa brilhante, e diz que foi dele que herdou a curiosidade. “Meu pai é um artista. Adora criar. Após a aposentadoria, montou uma oficina nos fundos de casa e ali inventa as coisas dele. Um dia, cheguei lá e tinha um rolo de tela pelo chão. Então perguntei o motivo, e ele respondeu que ia montar uma fábrica de tela”. Da mãe, a funcionária pública aposentada Yolanda Soares da Rosa, traz a vontade de sempre trabalhar. “Minha mãe já está aposentada há mais de 20 anos, mas continua trabalhando na Secretaria da Saúde e não pensa em parar.” Assim, é natural que Rossani traga na memória muitas lembranças da família, entre elas, as canções que os pais cantarolavam para ela e para o irmão mais velho, o cinegrafista da RBS TV Sérgio Soares, quando eram pequenos.
O gosto por aventura também é apontado como uma herança que recebeu dos pais, que levavam os filhos para acampar nos lugares mais remotos. Nas férias, era comum o pai encher um barco de cadeiras, alimentos, fogareiro e uma barraca e levar o pessoal para acampar nas Ilhas do Guaíba. Rossani recorda que muitas vezes após o almoço, enquanto os pais dormiam, ela e o irmão entravam no barco e navegavam pelos rios. “Quando conto isto para minhas filhas elas dizem: ‘Agora nós não podemos fazer nada, mas tu já aprontou, hein?’ E eu digo que agora é outra época, é tudo mais perigoso”, recorda a jornalista, sem poupar uma boa gargalhada.
Encanto juvenil
Casada há 28 anos com o também jornalista, o editor-chefe do Diário Gaúcho Cláudio Thomas, Rossani derrete-se ao falar do marido. Acredita que as mulheres buscam nos maridos alguma semelhança que enxergam nos pais, e confessa: “Foi isto que eu procurei. Meus pais sempre foram um exemplo de conduta, e eu queria alguém que tivesse alguma das características do meu pai. Que fosse honesto, correto, íntegro, justo, sério e batalhador. E que, acima de tudo, fosse um parceiro, um companheiro mesmo. Tudo isto eu encontrei no Cláudio”.
O casal se conheceu no tempo da faculdade, na Famecos. Rossani recorda que quando viu o futuro marido pela primeira vez ficou encantada. “Achei ele lindo, com aquela barba. Aliás, nunca o vi sem barba, e nem quero ver. Mas aquele jeito dele, quando nos conhecemos, me deixou realmente encantada”.
No inicio, revela, Cláudio nem dava muita atenção à colega – eram apenas amigos. Um ano depois de se conhecerem, em 1981, Cláudio a convidou para tomar um chope. E aconteceu; em dez meses já estavam casados e nunca mais se separaram: “Hoje tomamos chope, cerveja, vinho, e nunca mais nos largamos”. Da relação nasceram a estudante de Jornalismo Cristiane, 27, e a pedagoga Patrícia, 23, que mora em Florianópolis.
Contar todos os desafios
Rossani formou-se em Jornalismo, em 1984, pela Famecos, e dois anos depois dava inicio à carreira como repórter, na Rádio Guaíba. A primeira vez que entrou no ar, ao vivo, estava tão nervosa que acabou recebendo ajuda de um repórter da concorrente Gaúcha. “Na medida em que o apresentador do programa que estava no estúdio me chamava, este repórter, que não recordo agora quem era, ia me ‘soprando’ o que eu tinha que falar”.
Passando as dificuldades iniciais e depois de um tempo na emissora, foi convidada por Luiz Figueiredo para se tornar repórter de economia. No começo foi difícil, mas após um ano já estava craque. E foi longe, pois, na Guaíba chegou a chefe de reportagem e só saiu de lá, em 1993, para acompanhar o marido, transferido para Caxias do Sul, onde assumiu a direção do jornal Pioneiro.
Nos 12 meses que residiu na Serra, trabalhou na Rádio São Francisco e deu aulas na Universidade de Caxias do Sul. “Foi uma experiência bárbara, eu curtia demais”, conta. Mudou de planos quando o telefone tocou, com um convite para voltar a Porto Alegre e trabalhar como chefe de reportagem da Rádio Gaúcha. Titubeou, pois nunca tinha ficado longe do marido, mas foi o incentivo dele mesmo que a levou a aceitar o desafio. “Ele me dizia que se eu ficasse triste ou carente à noite, era para ligar que ele viria correndo para cá”, revela.
Em função de sua trajetória de muitas mudanças, Rossani diz que se fosse fazer uma definição a seu respeito diria que viveu constantes renovações na profissão. E estas mudanças não param por aí. Em 1998, Cláudio foi convidado a assumir o Diário Catarinense, e mais uma vez a família arrumou as malas e partiu para Santa Catarina. Lá, Rossani teve passagens pela Universidade Federal de Santa Catarina, pela Unisul e pela Rádio CBN, onde adquiriu um novo aprendizado. “Tive que aprender um novo vocabulário. Um exemplo? Lá os brigadianos são chamados de policiais militares. No caso das estradas, agora já não era mais a RS e sim a SC, entre outras expressões que tive que me adaptar”.
Passados dois anos, mais um desafio: foi convidada a ser chefe de reportagem da RBS TV Santa Catarina, sem nunca ter trabalhado em televisão. Mas o senso de humildade é uma de suas características, e para o que não sabe, pede ajuda. Aceitou o convite e se renovou mais uma vez.
Até que, após 11 anos em Florianópolis, mais uma vez, o marido foi convidado a voltar para Porto Alegre para trabalhar no jornal Diário Gaúcho e Rossani, sua fiel escudeira, acabou voltando também. “Como ele é o meu parceiro, não tinha como eu não acompanhá-lo”. Deixando em Florianópolis a filha mais nova que preferiu continuar por lá, e antes mesmo de colocar a mochila nas costas para voltar, ela já sabia que iria encarar um novo desafio, desta vez a Editoria de Geral da Zero Hora. “No início fiquei apavorada, mas agora estou adorando. Há um ano estou aprendendo cada vez mais esta nova empreitada e é com um frio na barriga que chego todos os dias na redação”.
Fugindo da mesmice
A jornalista confidencia que é contra a mesmice, que não gosta de ir aos mesmos restaurantes, lugares e de repetir roteiros. “Claro que não consigo fazer tudo diferente em todos os finais de semana que estou de folga, mas tenho que fazer algo diferente, senão eu não consigo ser feliz”. Quando morava em Florianópolis, na metade da semana os colegas do marido brincavam perguntando o que ela tinha inventado para o próximo final de semana. “Nós até podíamos caminhar na beira da praia, mas tínhamos que nos aventurar a descobrir o que tinha do outro lado da ponte”, diz.
Uma vez por mês o casal vai a Florianópolis visitar Patrícia. Enquanto as mulheres vão ao shopping ou colocam os assuntos em dia, Cláudio faz as compras no supermercado e cozinha para deixar comida congelada para a filhota. Diferentemente do marido, que adora cozinhar e, conforme ela, faz pratos com temperos maravilhosos, Rossani se considera um fracasso com a culinária. “É muito engraçado, pois quando vamos aos lugares é ele quem pede as receitas e acaba testando em casa.”
As idas ao cinema também fazem parte do roteiro do casal, mas nada de violência, Rossani gosta mesmo é de histórias reais. Filmes como ‘Marley e Eu’ e ‘Um Sonho Possível’ estão entre as obras que levaram a jornalista às lágrimas. Já as leituras, o que a encanta são as biografias e os livros que apresentam algum tipo de mistério. “Sempre gostei muito de ler, mas quem é a maior leitora da família é a Cris, que chega a repetir umas quatro vezes a mesma publicação”, orgulha-se.
Livros de autoajuda passam longe, pois Rossani acredita que tudo que coloca como meta e crê de verdade, acontece. “Aprendi com minha mãe que tudo o que quero tenho que ter pensamento positivo, e irei conseguir. Para isto, não preciso de nenhum livro de autoajuda para me ensinar, é algo que vem de mim.”
Como boa virginiana, Rossani é organizada, prefeccionista e detalhista, daquelas que não gostam de nada fora do lugar. Objetos como um quadro torto lhe dão verdadeira agonia. “Sou muito chata e cheia de manias, a ponto de chegar à casa de alguém e se um objeto estiver fora do lugar, eu pedir licença para arrumar”, brinca.
Eterna aprendiz
Rossani diz que gosta muito de aprender e que está sempre procurando melhorar. “Tem um monte de coisas que ainda quero fazer e não tenho muita pressa em realizar, porque eu preciso ter o que realizar. Considerando que eu não cheguei nem na metade da minha vida e que já fiz um monte de coisas até agora, eu preciso ter sempre que almejar algo novo para realizar”.
Se não fosse jornalista, gostaria de ser psicóloga, pois se encanta com as histórias de vida das pessoas, sente curiosidade por elas e gosta de ouvir o que elas têm a dizer. Na eterna vontade de buscar algo novo, ama viajar e conhecer lugares. “Paris está entre as minhas viagens favoritas, e não é porque é moda, mas porque a cidade é linda”, avalia. Entre seus desejos está ainda aprender a dançar tango, tocar violão, falar francês e cursar outra faculdade.
Considerando-se feliz e satisfeita com a vida que tem, Rossani acha que tem muita sorte, pois já obteve muitas conquistas. “Se eu for olhar para trás posso dizer que sou realizada, mas olhando para frente, sei que tenho muito ainda que fazer”. Se há uma lição que poderia dar a uma pessoa amiga, é esta: deve-se viver não como se hoje fosse o último dia, mas o primeiro. “Como diz a música: ‘Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida’ e amanhã também e assim por diante, pois todos os meus dias são de recomeço e acredito que este pensamento de certa forma renova a minha alma”.

