Perfil

Leticia Palma: Ela não para

Jornalista detalha experiências profissionais e se diz uma portoalegrense apaixonada pela cidade

Não gostar de rotina foi o principal motivo da escolha de Leticia Dorfman Palma pelo Jornalismo. Apesar do rosto de menina, mostra-se uma mulher inquieta, falante e decidida – ou desbravadora, como ela gosta de se definir. Hoje morando em Brasília, também faz questão de enfatizar que adora Porto Alegre, churrasco e chimarrão. Sempre que pode, veste a camisa do Internacional e vai andar de bicicleta no Parque da Cidade, um de seus lugares preferidos na capital federal. O apartamento no centro do País, aliás, é pouco frequentado: como Coordenadora de Cooperação Internacional da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), passa muito tempo viajando, acompanhando seu presidente – até poucas semanas atrás, cargo ocupado pelo também gaúcho Alessandro Teixeira.

Apaixonada por dança, praticou ballet por 18 anos, fez ginástica e natação, além de estudar inglês durante toda adolescência. O ritmo acelerado acompanha Leticia desde pequena, porém ela admite que saber exatamente o que seria do seu dia sempre a incomodou. “Nunca fiquei em casa sem fazer nada, nem vi Sessão da Tarde (programa de filmes da Rede Globo) comendo bolacha recheada”, brinca.

Aos 37 anos, considera-se uma workaholic, e acredita que está na fase de investir mais na carreira. Ser solteira, por exemplo, ela encara como ‘ossos do ofício’, apesar de garantir que deseja, sim, construir sua família com marido e filhos. Voltar para a capital gaúcha também está nos planos, mas sem previsão alguma. “Amo demais a minha cidade, mas às vezes acho que é muito pequena para mim e para tudo que eu ainda posso fazer longe daqui”, explica.

Londres, aí vou eu!

Colocar a mochila nas costas e sair mundo afora nunca foi um desejo de adolescente, mas aconteceu. Leticia já cursava Jornalismo na Famecos quando foi convidada por um namorado para morar com ele em Londres. Com o incentivo da mãe, a professora Maria Alice, topou o desafio. No terceiro dia estava empregada como auxiliar de garçom num restaurante italiano. Entre muitas confusões, como, por exemplo, se perder pela cidade e confundir bebidas dos clientes, passaram-se dois anos.

A capital da Inglaterra voltou a ser seu lar muito tempo depois. Convidada por uma amiga para passar as férias em Londres, a jornalista viu no passeio uma oportunidade de crescer profissionalmente. Lembrou que a Rede Globo mantinha uma escritório lá e decidiu que ia trabalhar em televisão, desejo que herdou da infância, quando participava de programas infantis para dançar. Já estava atuando num restaurante – o mesmo da sua primeira passagem pela cidade –, quando resolveu ligar para o correspondente Caco Barcellos (paraninfo de sua formatura). Conseguiu três feitos importantes: marcar um café com ele, conversar como amigos e uma chance de estagiar na Globo de forma não-remunerada.

O que era para ser dois meses foi transformado em seis e só encerrou-se porque a vontade de voltar ao Brasil falou mais alto. “Foi uma grande experiência. Trabalhar com o Caco, que é uma pessoa sem explicação, e com o Marcos Uchôa, que tem um texto impecável, foi realmente demais.” Da segunda experiência, há uma cena na memória que, lembrada, causa muitas gargalhadas. Nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2002, no Japão, em que o Brasil enfrentou a Inglaterra, o restaurante estava cheio e a ajuda de Leticia foi solicitada para servir aos clientes. O que fez, mas com algo a mais do qual se orgulha: a camiseta do Brasil por baixo da roupa. Ao sair um gol da Seleção Canarinho, ela fez questão de mostrar a verde e amarela e permanecer assim pelo resto da partida. “Ainda bem que eram só homens e eu a única mulher, assim ninguém me xingou”, conta.

Em constante crescimento 

Antes de botar o pé na estrada, Leticia acumulou outras experiências. Deu aula em um curso de Inglês, onde criou um jornal interno, e atuou na Plural Comunicação, na qual era responsável por uma publicação para a Copesul (hoje, Braskem). Falar fluentemente a língua inglesa abriu diversas portas no mercado de trabalho. Uma delas foi na Claro Digital, onde intermediava reuniões dos diretores canadenses com os empresários brasileiros. Na mesma experiência, colaborou para a criação da equipe de call centrer e treinou cerca de 300 pessoas para o atendimento do setor.

Outro período contado com muita empolgação foram os quatro anos em que atuou na RBS TV, primeiro emprego que procurou ao retornar de Londres. “Bati na porta com uma excelente carta de recomendação assinada pelo Uchôa”, orgulha-se. Foi lá que teve a maior experiência como repórter, apesar de ter iniciado como produtora do programa RBS Notícias.

Também foi na emissora que Leticia topou outro desafio e participou da sua primeira matéria investigativa. Fiscalizar órgãos públicos com uma câmera escondida lhe rendeu a série ‘A qualidade do serviço público’, transmitida como quadro no Jornal do Almoço. “Via muitas coisas ruins e voltava realmente mal para a redação. Nestes momentos, tinha que deixar o lado humano um pouco de lado para ser estritamente profissional.” Ali era grande a vontade de ajudar seus entrevistados, e explica assim aquele sentimento: “Eu sabia que tudo que colocássemos na televisão iria ser resolvido, por isso pensava em dar o máximo de mim. Acredito que um dos principais papéis do Jornalismo é justamente ajudar, mostrar o que está ruim para que possa ser melhorado”.

Mais experiências

Jornalismo internacional, investigativo e empresarial foram atividades realizadas em televisão e impresso. Mas também há uma passagem pelo rádio: Leticia foi locutora de um programa judaico, ‘A Hora Israelita’, transmitido ao vivo pela Bandeirantes aos domingos pela manhã.

O gosto por viajar também foi desenvolvido na carreira. Durante um período de férias, foi selecionada para fazer um curso em Israel, promovido pelo Ministério das Relações Internacionais, para comunicadores da América do Sul. Além de agregar conhecimento, nem cogitou de descansar durante a viagem: propôs para a chefia na RBS TV que levasse uma câmera e produzisse matérias com gaúchos. Aprovada, a sugestão resultou em cinco reportagens, transmitidas no Teledomingo.

Atualmente, a experiência de trabalhar na Apex tem proporcionado muito aprendizado. A rotina de viagens internacionais permitiu que conhecesse mais de 20 países, como China, Suíça, Espanha, Itália, África do Sul, Venezuela, Gana e Holanda. Em todos os lugares, garante que tentou extrair tudo que podia da cultura local, inclusive o idioma.

Do que ela gosta

Falar de lazer com Leticia só tem uma definição: família. É com as irmãs Lavínia e Laura que a primogênita gosta de ficar quando está em Porto Alegre. Por aqui, também adora a companhia do pai, o administrador Tallis, e da “filha” Bela, uma cachorra da raça Labrador. “Às vezes ouço reclamações dos meus amigos gaúchos porque não vou visitá-los, mas é que estar com a minha família é tão bom que esqueço do mundo”, explica, para em seguida reforçar que tem uma ligação muito forte com as irmãs.

Bairrista assumida, ela conta que quando está no exterior faz questão de dizer que é brasileira e, com um pouco mais de conversa, não esquece de explicar que é gaúcha. Tem muito orgulho de onde nasceu e garante que morre de saudades daqui. Nos poucos momentos de folga, não abre mão de vir para o sul do País, nem que seja para passar um tempo em Capão da Canoa com a família. “Tenho uma necessidade muito grande de estar em contato com a natureza, é o meu equilíbrio. Adoro sentar na areia e ficar só admirando o mar”, conta.

A dança também é, até hoje, uma grande paixão de Leticia, favorecida pelo seu físico de mulher esbelta, altura próxima dos 1,80. Chegou a dar aula e a fazer parte de um grupo em que fazia ballet clássico, dança contemporânea, ucraniana e jazz. Aos 15 anos, no auge do sonho de ser bailarina, foi para Nova Iorque e esteve ao lado das melhores profissionais da época, como Cinthia Gregory, por exemplo.

Como ela se vê

Ficar sozinha foi algo que aprendeu a fazer e a gostar. Adora chegar de viagem, preparar seu chimarrão e ler jornal na sacada do apartamento. “Hoje, tenho necessidade de ter os meus momentos. Por mais que eu viaje muito e fique em excelentes hotéis, a melhor cama é sempre a minha.”

Jornalista, pós-graduada em Marketing, bailarina, esportista, escoteira – duas horas de conversa são pouco tempo para resumir tudo o que Leticia fez e é capaz de fazer ainda. Afinal, em tudo o que faz e diz, mostra-se apaixonada pela vida que escolheu.

Ela se considera uma pessoa honesta, justa, disciplinada e em busca de desafios. E é incisiva ao detalhar estas características: “Humildade é uma palavra que norteia minha carreira e, por isso, sempre tento me colocar no lugar dos outros. Aprendi que ter caráter sempre vale a pena”.

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Autor

Márcia Christofoli

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