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Jornalismo aposta em histórias humanas para enfrentar avanço da IA

Pesquisa do Reuters Institute indica foco maior em conteúdos originais, mesmo com possível perda de alcance

A pesquisa ouviu 280 líderes da indústria de mídia em 51 países, entre eles editores-chefes, CEOs e responsáveis por inovação e áreas digitais - Crédito: Reprodução

Na era da Inteligência Artificial (IA), o Jornalismo deve apostar no elemento humano para navegar no cenário criado por ferramentas de IA generativa. Histórias humanas, reportagens de campo, vídeos, coberturas ao vivo e análises devem ganhar mais espaço nas estratégias editoriais nos próximos anos, segundo o relatório de tendências 2026 do Reuters Institute. O estudo aponta que, diante da expansão da Inteligência Artificial generativa, veículos de Comunicação tendem a priorizar conteúdos originais, mesmo com possível perda de alcance e redução no volume de notícias gerais.

A pesquisa ouviu 280 líderes da indústria de mídia em 51 países, entre eles editores-chefes, CEOs e responsáveis por inovação e áreas digitais. O levantamento utiliza um sistema de pontuação que mede a diferença entre os que pretendem aumentar ou reduzir investimentos em determinadas áreas, indicando o grau de consenso do setor.

Para 2026, os entrevistados indicam maior foco em reportagens feitas fora das redações (+91), análise e contextualização (+82), construção de comunidade por meio de eventos e transmissões ao vivo (+75), histórias humanas (+72), checagem de fatos (+63) e opinião (+55). Em sentido oposto, há expectativa de redução em conteúdos de serviço (-42) e materiais considerados “evergreen” (-32), como guias e análises de produtos.

Avanço de ferramentas

Segundo os participantes, o sucesso futuro passa por maior originalidade editorial, mesmo que isso represente queda no alcance e menor produção de notícias gerais (-38). A mudança ocorre em reação ao avanço de ferramentas de IA generativa, como o Modo IA do Google e o Perplexity, que utilizam conteúdos já publicados para responder diretamente às perguntas dos usuários, reduzindo o tráfego para sites jornalísticos.

Dados citados no relatório indicam queda no tráfego oriundo de mecanismos de busca. Levantamento da Similarweb, publicado pela The Economist, aponta retração de 15% no tráfego global de buscas entre junho de 2024 e junho de 2025. No mesmo período, aumentou de 56% para 69% o volume de buscas sem clique em links.

Segundo o Wall Street Journal, veículos como Business InsiderWashington PostHuffPost e o próprio WSJ registraram queda de 55% no tráfego orgânico via busca entre abril de 2022 e abril de 2025. Pesquisa do Pew Research Center mostra que apenas 1% dos usuários clicam em links exibidos em resumos de IA do Google.

O fenômeno, conhecido como ‘Google Zero’, ainda não é tratado como cenário consolidado pelo Reuters Institute, mas preocupa o setor. Os líderes estimam que o tráfego vindo de buscas deve cair 43% nos próximos três anos, e 20% dos entrevistados preveem perdas superiores a 75%. Diante disso, cresce o interesse em entender a distribuição de conteúdo por meio de chatbots de IA (+61), enquanto técnicas tradicionais de SEO perdem prioridade (-25).

Vídeo e áudio ganham relevância

O relatório também mostra maior investimento em formatos menos dependentes de texto. Entre os entrevistados, 79% afirmam que pretendem ampliar a produção de vídeo, e 71% indicam expansão em áudio. Para Christof Zimmer, diretor de produtos da revista alemã Der Spiegel, a redução do custo de produção de texto amplia a concorrência no ambiente digital.

Nas plataformas, YouTube (+74) e TikTok (+56) aparecem como prioridades de investimento para 2026. Em contrapartida, os líderes planejam reduzir esforços no X (-52), Facebook (-23) e BlueSky (-11). O LinkedIn (+40) é a exceção, impulsionado pelo crescimento como fonte de tráfego para publicações especializadas e voltadas a negócios.

O documento completo pode ser visto neste link.

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