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João Borges, da GloboNews, fala sobre o cenário político e econômico do Brasil no Congresso da Agert

Jornalista apresentou dados nacionais e analisou situação mundial que afeta o País

A recessão aconômica do Brasil, que se arrasta desde 2015, pautou a palestra ‘Cenário político e econômico’, ministrada pelo jornalista especializado em Economia da GloboNews, João Borges. Em sua apresentação, que integrou a programação do Congresso da Agert na manhã desta quarta-feira, 23, ele falou que o trauma psicológico da população, quando ninguém sabe o que vai acontecer, gera uma paralisação, o que atrapalha na recuperação do País. “Esse período tão longo resulta em traumas muito profundos”, analisou.

Para exemplificar a não recuperação nacional, Borges mencionou fatores que influenciam nisso, como a gravação telefônica que envolveu o ex-presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, em 2017, e a greve dos caminhoneiros, em 2018. Ele apresentou um panorama da situação atual do Brasil, que tem uma penosa tentativa de recuparação da economia. “Embora seja uma reação modesta, temos que acompanhar e o pouco que cresceu foi surpreendendemente positivo dentro do que se esperava”, comentou.

O desemprego também entrou na pauta e Borges falou sobre as ondas de demissões que ocorreram logo após a eleição do ano passado. “As empresas sabiam que não tinham como manter seus funcionários devido à crise, porém, tinham medo de rataliação do governo. Depois, a taxa de desemprego começou a cair lentamente”, citou, lembrando da importância de se olhar, também, para o índice de empregabilidade. “Sempre focamos no desemprego, mas não olhamos para os que estão empregados. Temos que saber que há muito empregado sem carteira assinada, além dos profissionais autônomos e microempreendedores”, listou, comentando que há 106 milhões de pessoas buscando emprego e quase 700 mil pessoas a mais estão trabalhando, além de dois milhões de desocupados. “A cada trimestre, este número diminui e nada indica que outubro e novembro não sejam melhores que setembro. Está timido, mas há melhora”, avaliou.

O jornalista ainda comentou sobre a inflação que, há três anos, está abaixo de 4%, representando uma boa melhora desde 2015, quando o índice era de 11%. “Talvez, estejamos montando um ambiente com inflação e juros baixos. Isso, somado à recuperação do emprego, vai ajudar na reação da economia nacional.” Além disso, lembrou que, na década de 90, o então presidente Fernando Henrique Cardoso quis fazer uma reforma na Previdência, pois já previa que o País iria quebrar. “Se tivesse sido ajustado e resolvido lá atrás, agora, estariamos com outras prioridades e, talvez, não tão quebrados. O Brasil não consegue avançar na sua agenda, que é enorme. Falta dinheiro e o País não consegue manter a infraestrutura que construiu”, observou.

Na sequência, trouxe dados do cenário externo, lembrando da crise mundial de 2008 e 2009, quando o País foi favorecido com um crescimento na exportação para a China. No entanto, mencionou que a guerra comercial travada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, influencia na recessão da China, o que reflete no Brasil. “A Europa é outro problema quando o Reino Unido não se resolve quanto ao Brexit, o que afeta o crescimento daquele continente, onde a Alemaha vai entrar em recessão e a Espanha está em queda”, disse, comentando, também, sobre a situação dos países da América do Sul. “A Argentina se perdeu, a Venezuela acabou, o Peru está na situação que está e o Chile está conflagrado. Nossa vizinhança está complicada, o ambiente geral está ruim e parece que não vai melhorar.”

Sobre a expectativa de crescimento da economia mundial, João Borges afirmou que esta caiu para 2019 e para 2020, pois os países estão restringindo compras e exportações, o que derruba o comércio mundial. “O Brasil precisa parar de fazer confusão e observar o investimento que está vindo com um potencial brutal de investimento. É uma oportunidade, mas a gente precisa fazer o dever de casa”, disse, afirmando que, se o País fizer uma Reforma Tributária e outra Adminstrativa e conseguir segurar o juro em 4%,  um ambiente macro muito promissor.

Segundo o palestrante, o precesso de concessões, administrado por Tarcísio Freitas, está sendo muito bem conduzido. “É uma montanha de investimento que vai entrar. Estamos caminhando para o fim do ano e olhamos para frente sem ter certeza de nada. Do ponto de vista da economia, acredito que 2020 será melhor. No que se refere à política, tem ainda muito ruído, mas o País se acostuma e aprende a fechar um pouco os ouvidos”, encerrou.

A cobertura de Coletiva.net tem o apoio da TV Record e Rádio Viva – veículo da RSCOM -, com realização da Agert. Ao longo dos três dias, as jornalistas Gabriela Boesel, Márcia Christofoli e Patrícia Lapuente produzem conteúdo em tempo real sobre as palestras e demais movimentações, bem como relatam os bastidores do Congresso. Além do portal, são abastecidas as redes sociais com fotos, vídeos e transmissões ao vivo.

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