Na semana em que é comemorado o Dia das Mães, vou homenagear na coluna duas mulheres maravilhosas e que moldaram a minha vida e foram essenciais no meu exercício de maternar. Sem elas, eu quase nada seria e minha história não teria capítulos cativantes e envolventes. Aliás, talvez nem tivesse enredo. Falo da minha mãe, Mirthô Peçanha Martins, e da minha filha Gabriela Martins Trezzi. Cada uma, com suas características diversas, comportamentos, reações em diferentes momentos da minha rotina, ajudou a me transformar numa pessoa melhor.
Mamãe Mirthô, sem nunca parecer que estava fazendo isto, me ensinou a olhar sempre para a frente com otimismo, a acreditar nos outros, a jamais desistir de qualquer objetivo que eu traçava, mesmo que se desenhasse impossível. Essa palavra não existia no dicionário que Mirthô apresentava aos seus quatro filhos. No seu jeito quase didático de manter a paciência, nas situações mais conturbadas, ela ia driblando as encrencas da vida. E, assim, uma mulher forte, corajosa e destemida, Mirthô me preparou para o presente e o futuro.
O maior ensinamento que ela me transmitiu e que não lhe abandonou nem nos últimos meses de sua existência, quando a doença já havia lhe tirado do prumo (mamãe morreu em julho de 2011), é que o amor é o sentimento mais nobre e o único capaz de alimentar a vida, de fomentar a esperança, de proporcionar a luz no fim de qualquer túnel.
Foi com esse amor incondicional, passado de mãe para filha, que eu me senti preparada para ser mãe. E experimentar a sensação inexplicável de acalentar um ser no meu ventre durante nove meses. E entender que o planejamento do futuro não poderia mais ser individualista. E adquirir a consciência de que gerar um filho (a) exige responsabilidade, compromisso e, principalmente, doação diária. E despertar a cada manhã com o propósito de ser uma pessoa melhor, de errar menos e ser mais resiliente e paciente.
Assim, nasci mãe em 6 de dezembro de 1994. E desde então, só tenho a agradecer o que aprendi com Gabriela com a sua chegada. Com ela, aprendi tudo o que sei atualmente sobre amar e respeitar. Convivendo com Gabriela, entendi melhor o significado de compreender o controverso, o diferente, rasgar os rótulos e arriscar novos olhares sobre o que já estava moldado. Com ela, conheci a forma mais linda de amar, aquela que inclui entrega diária e eterna, e que se inicia ainda na gestação e não se rompe com o corte do cordão umbilical.
Por isso, obrigada Gabriela por mudar definitivamente a minha forma de encarar a vida. Obrigada por me fazer exercitar a paciência. Obrigada por dividir comigo as experiências boas e as más. Obrigada por me mostrar a tolerância. Obrigada por me tornar uma pessoa melhor. Obrigada por me fazer mãe.

