A aproximação cada vez maior entre entretenimento e notícia pode causar sérias conseqüências à credibilidade dos jornais. A afirmação é de Bonnie M. Anderson, presidente da Anderson Media Agency, Inc., empresa de treinamento profissional de jornalistas. A profissional debateu o tema “O jornalismo sério é a base para a democracia”, durante a manhã de hoje no 4º Congresso e Fórum da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), realizado em São Paulo. Segundo a jornalista, com o objetivo de levantar a audiência dos telejornais ou a circulação dos periódicos, os veículos de comunicação estão desvirtuando os critérios do que é notícia, que sempre foram baseados na relevância da informação para o público-alvo.
Como exemplo, a jornalista cita o caso da rede de TV CNN, que há poucos dias abriu um dos seus noticiários, cujo tempo de duração é de 22 minutos, com uma reportagem de oito minutos sobre a morte do comediante Bob Hope. No mesmo dia, a notícia de que morreram três soldados norte-americanos no Iraque ficou em segundo plano.
Essa “enfermidade”, segundo Bonnie, já atinge o Brasil. Ela cita a foto de destaque publicada, recentemente, na capa de um grande jornal, que mostrava uma mulher baleada. Mais tarde, Bonnie soube que se tratava de uma cena de novela – a morte da personagem Fernanda, de “Mulheres Apaixonadas”, da Rede Globo -, que havia se tornado o assunto do momento. “Uma imprensa séria transmite credibilidade e se torna essencial para a existência da democracia em qualquer país”, acredita a jornalista.

