Funcionários do jornal Gazeta Mercantil, tanto da área administrativa quanto da Redação, entraram com uma ação judicial, ontem, para reivindicar salários atrasados. No total 305 profissionais assinaram o pedido entregue à Justiça. Entre os nomes está o de quase todos os jornalistas, desde o editor-chefe, Matias Molin, até o correspondente do jornal em Genebra, Suíça, Assis Moreira, incluindo os contratados nas sucursais. Nos últimos 18 meses, a empresa acumulou atrasos que somam entre seis e sete meses de ordenado, incluindo as parcelas referentes ao pagamento de férias e 13° de 2001 e 2002.
A ação não será acompanhada de greve. Os funcionários garantem que desejam apenas a restituição dos atrasados. “Nossa intenção é que o jornal continue circulando normalmente”, diz Paulo Totti, editor executivo da Gazeta, porta-voz da Associação dos Funcionários Prestadores de Serviço e Credores do Grupo Gazeta Mercantil. Criada no ano passado, a associação busca medidas legais para reivindicar os direitos trabalhistas e é representada pelo escritório de advocacia Martins & Sálvia.
A associação decidiu entrar na Justiça depois de ter recebido do próprio presidente da Gazeta, Luiz Fernando Ferreira Levy, a notícia de que um novo sócio estaria ingressando na empresa e se responsabilizaria pela parte financeira e administrativa. Os funcionários querem evitar que a mudança societária provoque a blindagem do passivo. “Os objetivos da ação são manter a sobrevivência do jornal, democratizar a informação econômica, mantendo o nosso compromisso com o leitor, e reivindicar o pagamento dos salários”, diz Totti. “E as duas primeiras coisas não podem se sustentar se não houver a terceira.”

