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Favoritismos inúteis

O óbvio precisa ser dito e está prestes a ocorrer no Gauchão: caminhamos para uma decisão Gre-Nal. Com pouco esforço, pouco futebol, poucos sustos os dois times chegaram entre os quatro primeiros. Agora é contar com o favoritismo para confirmar a tendência. Para que serve isso? Praticamente nada. No que importa, as competições nacionais e sul-americanas, estamos lá embaixo.

As classificações nas quartas-de-final reforçaram que o campeonato regional é inútil para deixar as equipes prontas para os maiores desafios do ano. O Grêmio usou titulares, sem interesse dos jogadores, ganhou quando quis do Novo Hamburgo. O Inter eliminou o São Luiz com escalação mista, igualmente sem se esforçar.

Há quem diga que os colorados viram nascer jovens que estão demonstrando condições de aproveitamento no resto da temporada. Sim, verdade. O problema é que o “ver para crer” nos últimos anos não tem explorado a gurizada da melhor forma. Entram em campo no Gauchão, recebem poucas oportunidades no Brasileirão, na Copa do Brasil, na Libertadores, Sul-Americana. De que adianta?

Gostaria de enxergar a mesma minutagem dada aos jogadores da base no estadual em outras competições. Aí, sim, seria efetiva a estratégia adotada por Paulo Pezzolano e a diretoria do Inter em 2026, também usada no lado azul em outras ocasiões.

“Dar entrosamento aos titulares”, “Fazer testes”, “Estamos em pré-temporada” são lugares comuns citados pelos treinadores e dirigentes. Concordo com todos, é mesmo período de fazer experiências, sem cobrar resultados imediatos. A questão aqui é que, quando a coisa esquenta, os conceitos são deixados de lado.

O Grêmio de Luís Castro utiliza força quase máxima nas partidas do Gauchão, assim como no Brasileirão. Não tem dado espaço para os guris, dando preferência para entrosar o grupo principal. Também é válido. Não discuto. Mas será que o calendário lotado não vai trazer prejuízos físicos mais adiante? O tempo dirá.

Certo é que ser favorito contra Ypiranga, Juventude, São José, São Luiz, Novo Hamburgo, Caxias, com todo o respeito a esses clubes, significa pouco ou quase nada. Precisamos estar no topo, ou mais perto dele, nas disputas que realmente são relevantes. Infelizmente, vejo chances mínimas de ocorrer.

Autor

Rafael Cechin

Jornalista graduado e pós-graduado em gestão estratégica de negócios. Atua há mais de 25 anos no mercado de comunicação, com passagem por duas décadas pelo Grupo RBS, onde ocupou diversas funções na reportagem, produção e apresentação, se tornando gestor de processos e pessoas. Comandou o esporte de GZH, Rádio Gaúcha, ZH e Diário Gaúcho até 2020, quando passou a se dedicar à própria empresa de consultoria. Ocupou também, do início de 2022 ao final de 2023, o cargo de Diretor Executivo de Comunicação no Sport Club Internacional. Atualmente mantém a própria empresa, na qual desde 2021 é sócio da Coletiva,rádio, e é Gerente de jornalismo e esporte da Rádio Guaíba.
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