Mesmo passados tantos anos, mais de cinco décadas, é comovente ouvir o depoimento de associados e colaboradores sobre os momentos vivenciados no dia a dia da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre. Já relatei aqui o depoimento espontâneo e expressivo de Paulo Sá, que fora executivo do núcleo industrial. Em um encontro de antigos integrantes da Coojornal relembrou com incontido entusiasmo um momento de sua experiência por lá, e vale replicar suas exatas palavras:
– Eu me criei na Zero Hora e vim pra cooperativa. No meu segundo dia de trabalho, o Polydoro [Jorge Polydoro, superintendente] chega e me abraça e diz: “Conseguimos o financiamento para comprar os equipamentos gráficos”. Aquilo me chocou. O que isso, o patrão? Era estranho para mim, que vinha daquela relação patrão de um lado, funcionários de outro.
Jorge Olavo de Carvalho Leite, jornalista que estava na composição do primeiro Conselho de Administração, testemunhou: “Aprendi centenas de lições, milhares de lições na convivência com a ideia da cooperativa. Nós estávamos fazendo uma ação muito importante. Não tínhamos capital, mas tínhamos vontade, tínhamos talento, nós queríamos fazer”.
Elaine Lerner, associada que atuou na área de prestação de serviços para terceiros durante anos, encontrava tempo para produzir também trabalhos para o mensário da cooperativa. Repetia com frequência que gostaria de fazer mais, especialmente porque, em suas palavras, “o Coojornal era um motivo de orgulho para todos nós ao revelar fatos importantes que não eram publicados pelos outros jornais. E a gente podia dizer com orgulho: ‘Eu trabalho no Coojornal, eu faço o Coojornal’”.
A jornalista Lenora Vargas, cuja participação importante na composição da Central de Serviços e da agência de notícias da Coojornal já foi referida aqui, também não economiza palavras generosas: “Apesar das dificuldades, apesar dos atrasos no salário, apesar de ter durado pouco, valeu muito a pena. Agora, muitos anos depois, refletindo sobre ela, eu digo: faria tudo de novo”.
O cartunista Santiago, com brilhantes trabalhos publicados periodicamente no Coojornal, ressaltou que o veículo tinha um papel importante porque, assim como o diário Folha da Manhã, também valorizava muito o cartum e a ilustração. E o fotógrafo Luiz Eduardo Robinson Achutti afirmou que considerava o Coojornal um grande quebrador de tabus, graças a sua veia produtora de reportagem de qualidade.
A Coojornal era um dos poucos lugares no período em que era possível trabalhar com autonomia, liberdade de expressão e sem censura interna, atestou o associado Ayrton Centeno em um depoimento para uma tese universitária. E fez questão de ressaltar que o período em que atuou na Cooperativa dos Jornalistas foi marcante em sua vida.
É de aplaudir, não é mesmo? Vou recuperar mais depoimentos na próxima coluna. Até lá e boa semana.


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