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Um sonoro “não” à violência de gênero

Em um período em que, infelizmente, enfrentamos números absurdos de feminicídios e de outras violências contra mulheres, e na antevéspera do Dia Internacional da Mulher, não vejo como me distanciar deste tema.

Sem medo de ser repetitivo, muito antes pelo contrário, vendo a necessidade de sê-lo, volto a insistir na necessidade de a sociedade como um todo, principalmente o lado masculino, se engajar no combate a este fenômeno que, além de preocupar, entristece e constrange.

Para enfrentarmos, é preciso olhar para todos os lados, em todas as camadas da sociedade, sem esquecer as que abrigam as mulheres em condições mais vulneráveis. Sim, estas, muitas vezes, são vítimas ou sobreviventes, em situações de invisibilidade total ou parcial.

Cito, por exemplo, as mulheres encarceradas. Muitas pessoas, mesmo sem conhecer as razões que as levaram ao cárcere, as julgam como “monstros” que lá estão “por total merecimento”.

Há três anos lançamos o longa-metragem documental “Olha Pra Elas”, que aborda questões do encarceramento feminino a partir da realidade das personagens. Por sinal, realidade marcada por sofrimento e injustiças.

Algo comum entre elas, invisível perante aos olhos da sociedade, é que na infância, adolescência e juventude foram vítimas de violências diversas, como abusos, agressões, dentro e fora de casa.

Muitas delas, moradoras de periferias, mesmo tendo denunciado os fatos, não obtiveram resposta de parte do Estado, que só as enxergou quando cometeram algum delito. Então, na hora de encarcerá-las, as tirou da invisibilidade. Isso, sem falar de um caso em que, após passar 11 meses presa injustamente, uma delas foi solta por, só então, em uma primeira e tardia audiência, ter comprovada a sua inocência.

É preciso destacar também que a maioria delas é mãe e quando uma mãe é retirada do seio familiar, a família desmorona. Muitas vezes os filhos, que não cometeram crime algum, ficam desamparados, pagando uma pena por herança.

Neste 8 de Março, um viva a todas as mulheres e um sonoro não a qualquer tipo de violência de gênero.

Autor

Renato Dornelles

Jornalista, escritor, roteirista, produtor, sócio-diretor da editora/produtora Falange Produções, é formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) (1986), com especialização em Cinema e Linguagem Audiovisual pela Universidade Estácio de Sá (2021). No Jornalismo, durante 33 anos atuou como repórter, editor e colunista, tendo recebido cerca de 40 prêmios. No Audiovisual, nos últimos 10 anos atuou em funções de codireção, roteiro e produção. Codirigiu e roteirizou os premiados documentários em longa-metragem ‘Central – O Poder das Facções no Maior Presídio do Brasil’ e ‘Olha Pra Elas’, e as séries de TV documentais ‘Retratos do Cárcere’ e ‘Violadas e Segregadas’. Na Literatura, é autor dos livros ‘Falange Gaúcha’, ‘A Cor da Esperança’ e, em parceria com Tatiana Sager, ‘Paz nas Prisões, Guerra nas Ruas’. E-mail para contato: [email protected]
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