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Impactos dos conflitos externos na comunicação das empresas brasileiras

De Tatiele Prudêncio, para Coletiva.net

Crédito: Rodrigo W. Blum

Pode não ser novidade pra você, mas para muita gente é. Não podemos ser ingênuos em achar que as guerras da nossa geração são apenas da Ucrânia x Rússia, Israel x Hamas e EUA x Irã. Lamentavelmente, existem outros conflitos acontecendo neste momento, como as guerras civis na Etiópia, no Sudão e em Mianmar, com cobertura midiática quase zero. Como expectadores, é algo duro de acompanhar e compreender, mas para Freud, a guerra não é apenas um evento político ou social, e sim uma manifestação coletiva de uma necessidade psíquica da agressividade inerente ao ser humano. Entretanto, por mais interesse e assustador que esse assunto seja, quero neste artigo trazer um recorte sobre o impacto desses conflitos nas organizações brasileiras do ponto de vista comunicacional e reputacional.

Seria de fato essa uma preocupação real diante de tantas outras da atualidade? A resposta é sim. As empresas brasileiras não estão diretamente envolvidas no campo de batalha, mas sofrem grandes impactos econômicos, informacionais e até reputacionais. Conflitos globais costumam gerar volatilidade econômica, interrupções na cadeia de suprimentos, pressão de stakeholders e circulação massiva de desinformação. O aumento do dólar, combustíveis mais caros, custo logístico maior e inflação de insumos impactam também médios e pequenos, sem falar no cidadão “reles mortal”.

Diante disso, é essencial acompanhar notícias internacionais e os reflexos no setor, além de identificar rapidamente narrativas que possam afetar a reputação da empresa. É recomendável ter um plano de comunicação de crise estruturado. Em especial as organizações mais impactadas economicamente, como as dos segmentos de energia, automotivo, de transporte e logística, de manufatura industrial.

É recomendável realizar manifestações públicas sobre estar de um lado ou de outro por parte de lideranças e colaboradores? Por vezes, essa é mais uma discussão moral e ética, pois as atrocidades não deveriam preocupar apenas quando batem “no bolso”. Prezar pela vida deveria ser senso comum. Ainda assim, é preciso avaliar com cautela quando e como se posicionar, e orientar as equipes internas sobre como o assunto deve (ou não) ser abordado com os públicos de relacionamento.  Além disso, é necessário ter porta-vozes definidos, fluxos rápidos de aprovação de mensagens, protocolos para redes sociais e imprensa, e monitoramento constante do cenário.

Vale destacar, ainda, que o público interno costuma ser o primeiro a buscar respostas. Por isso, atualizações transparentes sobre impactos no negócio, orientações sobre posicionamento nas redes sociais e a divulgação de canais abertos para dúvidas e preocupações são boas práticas. Exemplos de dúvidas que efetivamente devem surgir:

“O aumento do dólar pode afetar nossos reajustes ou bônus?”

“Viagens corporativas para as regiões x e y serão mantidas?

“A empresa pretende apoiar alguma iniciativa humanitária?”

“Existe algum impacto direto na nossa operação no Brasil?”

Importante levantar todas as possíveis perguntas que possam surgir e buscar respostas para elas. Seja para responder aos colaboradores ou, se for uma empresa com presença midiática mais expressiva, à imprensa.

Em cenários de guerra ou tensão internacional, o papel da comunicação empresarial é reduzir incertezas, proteger reputação e garantir coerência institucional. Contar com ajuda especializada e preparação das equipes internas de Comunicação e Marketing é fundamental. Mesmo as empresas de um país historicamente mediador como o Brasil.

Tatiele Prudêncio é jornalista com especialização em Ciências Humanas e sócia da Aurora Comunicação Criativa.

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