Uma investigação recente do jornal O Globo acendeu um sinal de alerta no mercado de Comunicação, especialmente no Rio Grande do Sul. O motivo é o comportamento do Grok, ferramenta de Inteligência Artificial desenvolvida por Elon Musk, que estaria conseguindo acessar e reproduzir conteúdos exclusivos de veículos jornalísticos protegidos por assinatura.
O levantamento testou o sistema com textos de veículos como Estadão, Folha de S.Paulo, GZH e o próprio O Globo, todos com conteúdo restrito a assinantes. Em poucos comandos enviados à IA, foi possível obter a íntegra de colunas fechadas ao público geral.
O que está acontecendo na prática
O ponto central da controvérsia envolve o chamado paywall, termo em inglês que significa, literalmente, “muro de pagamento”. Trata-se de uma barreira digital usada por veículos de imprensa para liberar o acesso completo a conteúdos apenas mediante assinatura, uma das principais fontes de receita do Jornalismo profissional hoje.
Já o termo prompt, também em inglês, refere-se às instruções ou perguntas feitas pelo usuário à Inteligência Artificial. No teste realizado, bastaram dois prompts bem estruturados para que o Grok entregasse textos completos originalmente protegidos por paywall.
Segundo a apuração, o sistema não necessariamente “invade” os sites, mas consegue reconstruir os conteúdos a partir de trechos dispersos disponíveis na internet. Ainda assim, o resultado final é a reprodução praticamente integral de materiais exclusivos, o que levanta dúvidas jurídicas e éticas. Além disso, quando questionado sobre o funcionamento desses acessos, o próprio Grok teria apresentado respostas inconsistentes, contraditórias ou até incorretas sobre o tema.
Impacto direto no modelo de negócio
A prática preocupa empresas jornalísticas porque atinge diretamente o modelo de sustentabilidade do setor. A assinatura digital é, hoje, um dos pilares financeiros das redações, especialmente diante da queda de receitas publicitárias tradicionais.
Para Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), há indícios de que ferramentas de IA possam estar operando em desacordo com a legislação brasileira de direitos autorais. “O tema se soma a outras controvérsias envolvendo o Grok no Brasil”, afirma.
Outras polêmicas envolvendo a ferramenta
Essa não é a primeira vez que o Grok enfrenta questionamentos. Em janeiro, o Instituto de Defesa do Consumidor chegou a solicitar a suspensão da plataforma no Brasil. Entre os argumentos, estavam a suposta violação de direitos fundamentais e o uso da tecnologia para gerar deepfakes — vídeos ou imagens manipuladas por IA — de caráter pornográfico sem consentimento.

