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Christiane Matos: Do esporte à comunicação institucional

Com passagem em diferentes mídias, jornalista celebra experiências que a levaram à gerência executiva de Comunicação e Marketing do Sistema Fiergs

De repórter para ao ambiente corporativo, foram muitas as experiências que levaram a jornalista Christiane Fernandes de Matos à gerência executiva de Comunicação e Marketing do Sistema Fiergs. Sua trajetória não foi linear. Foi de experimentação em diferentes mídias e posições, em um fluxo constante, que mostrou a capacidade de contornar obstáculos e superar os desafios com a naturalidade de quem nasceu para a comunicação. 

Sempre disposta a aprimorar os conhecimentos, não se prendeu a rótulos ou estruturas rígidas. Assim, construiu uma carreira marcada pela multiplicidade, transitando entre diferentes linguagens com uma versatilidade que a define como uma profissional essencialmente multimídia. E, acima de tudo pelo pioneirismo, abrindo espaços para ela e para as que vieram depois. 

Atualmente, esse percurso encontra o ápice na Fiergs, onde coordena uma operação de grande escala, ao ser responsável por dar voz à entidade que representa 52 mil indústrias e gerir uma equipe de 84 colaboradores. “Esse é o maior desafio da minha carreira, mas eu chego todo dia no trabalho e me enxergo exatamente onde estou. Estou na posição que eu batalhei muito para chegar”, celebra. 

Estar à frente de uma instituição de tamanha relevância exige mais do que competência técnica, demanda uma capacidade de liderança que, apesar de estar na primeira experiência com esse viés. Christiane reconhece como um de seus traços mais intrínsecos, desde os tempos da escola, no Colégio Marista Rosário, quando tomava a frente de projetos, era líder de turma e oradora da classe. 

“Eu amo estar perto das pessoas e a gestão de uma equipe tão diversa me encanta muito. Eu aprendo com eles, tanto com os mais novos, quanto com os mais experientes. Sinto que agregam muito a mim como profissional e como pessoa”, conta. 

Raízes no esporte

O esporte é um fio condutor que atravessa a vida de Christiane. A passagem pelo Jornalismo Esportivo, iniciada em 2006, foi um ato de pioneirismo em um ambiente onde a presença feminina ainda era rara, especialmente no jornalismo impresso e nas rádios. Como setorista da dupla Gre-Nal, quebrou barreiras históricas, ocupando espaços em treinos e estádios onde, na maioria das vezes, era a única mulher no local. Era necessário impor-se por meio da ética, dos valores e do profissionalismo para conquistar credibilidade em um meio não só de predominância masculina, como também resistente à presença feminina.

A relação com o futebol, entretanto, vai além do crachá de repórter. Filha do professor de educação física João Barroso, Christiane cresceu respirando o ambiente dos estádios e das competições, também acompanhada do irmão Alexandre, dois anos mais velho que ela e seu grande amigo e protetor. Essa memória afetiva, transformou-se em habilidade profissional, permitindo que ela comentasse e debatesse o esporte com a autoridade de quem conhece a técnica e a paixão. 

Ingressou no Grupo RBS em 2006, vinda do Jornal O Sul, para a área da diagramação. A vaga era temporária e durante esse tempo trabalhava com o rádio no ouvido, acompanhando os jogos e comentando com os colegas sobre as atuações dos times, fator determinante para que os gestores soubessem dessa proximidade com o esporte. 

Com o término do período previamente combinado, a vaga disponível foi na reportagem esportiva. “Tinha feito algumas matérias na Rede Pampa, mas essa era minha principal função como diagramadora. Por óbvio, eu fiquei encantada com a possibilidade de entrar na reportagem, ainda mais de esporte, que eu sempre quis”, relembra ela, que quando mais jovem jogava vôlei e handebol.

Como setorista, ela acompanhava diariamente os treinos e viveu a era das entrevistas exclusivas no pátio do estádio, onde a notícia era construída no contato direto com os atletas, diferente dos modelos atuais prioritariamente de coletiva de imprensa. 

“Na minha época, eram pouquíssimas as que tinham eram de TV, apresentadoras ou repórteres. Não tinham mulheres no veículo impresso como setoristas e, muito menos no rádio. Já a internet não era tão difundida”, destaca. Algum tempo depois, também de forma pioneira, foi integrante fixa feminina de um programa de debates esportivo na Rádio Gaúcha, o ‘Sala de Domingo’. O espaço também foi aberto na TVCom, onde também fazia participações em alguns programas para comentar os acontecimentos do futebol. 

Com as experiências multimídias, aceitou o desafio de trabalhar na rádio Bandeirantes, como repórter de campo e debatedora fixa do programa Apito Final, como única integrante mulher. Christiane define esse período como desafiador e fascinante. “Eu estava em um ambiente predominantemente masculino, mas eu sempre pautava o meu trabalho em princípios éticos e nos meus valores de vida. E eu acho que isso fez toda a diferença para eu me posicionar, mostrar profissionalismo e ganhar credibilidade”, reflete.

A saída da empresa trouxe também um período de muitas dúvidas em relação à profissão e sobre mudar de área. Apaixonada pelo Jornalismo, decidiu permanecer e, foi assim que abriu sua empresa, a Comunicare Assessoria, em 2015. Além de clientes do meio esportivo, atendeu a outros setores, inclusive o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), em que teve contato com Claudio Bier, Presidente da Fiergs, e com Ana Paula Werlang, Diretora-Geral da Federação. 

A trajetória também teve passagens pela TVE, onde produziu e apresentou o programa de debates semanal com convidados, nas segundas-feiras, o ‘TVE Esportes’, e um noticiário diário de cerca de 15 minutos com as atualizações sobre a editoria. Posteriormente, integrou a Comunicação Federação Gaúcha de Futebol, onde atuou como assessora do presidente e depois como coordenadora da Comunicação da entidade.

Hoje, o esporte continua sendo refúgio, mas como hobby. O beach tennis tornou-se mais do que uma atividade física, mas um espaço de sociabilização e empoderamento feminino. Christiane integra um grupo de mais de 40 mulheres que transformam as quadras de areia em um ponto de encontro semanal. 

A profissional reflete sobre o significado político e social desse movimento, notando que, enquanto os homens sempre tiveram o futebol como um direito ao lazer coletivo, as mulheres estão agora conquistando esse direito de ter um esporte como paixão e momento de descompressão. Para ela, além das quadras, o treino às 6h da manhã na academia também não é uma obrigação, mas um compromisso com sua própria leveza e bem-estar.

Sucesso é o equilíbrio

Para a jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em 2005, o sucesso profissional só faz sentido se estiver em harmonia com o desenvolvimento de sua filha, Alice, de seis anos. O desafio diário é o equilíbrio entre os diferentes papeis que representa. “Não é fácil ser dona de casa, ser mãe, ser gestora e ser executiva. São muitos pratinhos para equilibrar.” 

Esta rotina intensa, que muitas vezes começa às 5h30 da manhã, para que consiga praticar exercícios antes de levar a filha para a escola, é movida por uma energia que ela busca na disciplina e no autoconhecimento. A transição do trabalho em home office – que manteve por uma década como empreendedora, para a exigência presencial e dinâmica de uma grande federação – , foi um divisor de águas. Isso porque exigiu uma nova configuração familiar, com ainda mais apoio da mãe, a psicóloga Lila, e do marido e policial civil, Paulo. 

Christiane encara esse momento com o otimismo que lhe é peculiar, ao entender que a complexidade de sua agenda atual é o reflexo da maturidade que alcançou. O brilho nos olhos ao falar da ocupação atual divide espaço com a doçura ao mencionar a maternidade. A gestora não vê a liderança e maternidade como polos opostos, mas como versões complementares de uma mulher que aprendeu a gerir tanto crises corporativas, quanto às necessidades de uma criança em crescimento.

Força na base

As raízes de Christiane estão profundamente fincadas no solo de Porto Alegre e na história de sua família. Ela cresceu sob a influência do trabalho árduo de seus pais e do avô, que durante décadas comandaram o tradicional Restaurante Mariu’s, um ícone da “Esquina Maldita” na Osvaldo Aranha. Ver o pai e a mãe dedicarem-se do amanhecer à meia-noite ao negócio familiar moldou sua visão sobre responsabilidade e entrega. 

No entanto, era com o avô que ela mantinha uma conexão espiritual e afetiva quase mágica. O falecimento dele, ocorrido no mesmo ano do nascimento de sua filha Alice, é visto por ela como um ciclo de fé: “Acredito que a chegada dela foi uma forma de Deus para amenizar a minha dor”.

Sua mãe, Lila, é descrita como a “super rede de apoio”, a figura central que permite que Christiane alce voos profissionais sabendo que o solo firme da família está protegido. É nela que Christiane busca o exemplo de força para criar Alice em um mundo que, embora ainda machista, já apresenta horizontes mais largos do que os de gerações passadas. 

Para além da seriedade que o cargo executivo exige, não esconde sua faceta vibrante e festiva. Ela se define como uma “pagodeira” nata, apaixonada pelo ritmo e pela alegria dos shows e das rodas de samba. Esse gosto pela celebração é compartilhado com um círculo de amigos que ela considera um “presente da vida”. 

As amizades sólidas, algumas vindas desde a primeira série do colégio, também demonstram sua capacidade de construir e manter laços verdadeiros. É nesse equilíbrio entre o rigor da Fiergs e o balanço do pagode, entre a responsabilidade da liderança e a leveza dos encontros com amigos, que encontra sua essência, provando que é possível ser uma gestora de sucesso sem perder a capacidade de celebrar a vida.

Autor

Jéssica Mello

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3 Comments

Cris Arozi

Que matéria linda. Tu mereces Chris, todo esse reconhecimento. Torcendo aqui pelo teu sucesso sempre. E muito beach na nossa vida!

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Glademir Menezes

Não precisa falar mais desta mulher só orgulho de ti minha amiga ainda vem mais coisas pra ti fazer kkkkk t vira grande abraço vida longa pra ti Alice e esposo

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