Perfil

Tiago Rigo: O profissional 360º

Entre gestão, sala de aula e estratégia, Tiago Rigo constrói uma trajetória que atravessa mercado e academia

Crédito: Giordano Toldo

O menino do norte do Estado. O doutor em Comunicação na Capital. O pai apaixonado. Tiago Rigo aguarda com expectativa a chegada aos 40 anos de idade, que completará em 30 de junho de 2026, refletindo uma trajetória consolidada no aprendizado e no foco. Sem deixar faltar, como combustível vital, a felicidade.

A sala de aula funcionando como um espaço de criação e de acolhimento natural. Os espaços de gestão como desenvolvedores – e firmadores – de uma personalidade voltada à liderança. A família como elo para os aspectos mais fundamentais da existência. Natural de Erechim, distante cerca de 80 quilômetros de Passo Fundo, havia um jovem crescendo na zona rural do município, onde morava com os pais, e onde teve o incentivo à educação como um dos motivos pelos quais guinaria a carreira para a área. “Eu sempre admirei meus professores, a forma como eles ensinavam”, conta.

O dilema da época, no entanto, não era a docência, mas o destino entre as grandes áreas de preferência. Medicina, Direito ou Jornalismo: qual escolher? A preferência inicial era a área da saúde. A virada viria, no entanto, com a desventura de um acidente sofrido por seu pai, Sérgio, que trabalhava como caminhoneiro. O pior, pelo feliz desenrolar da recuperação, não aconteceu, o que não impediu que esse episódio o fizesse repensar na escolha, e assim, guinou para a Comunicação, que o conquistou. Aliás, reflete muito do que o faz permanecer e acreditar nas potencialidades das pessoas que cruzam seus caminhos.

Do Jornal à capital

A concentração de centros universitários em determinadas localidades, muitas vezes, faz com que a vida no Interior sofra os deslocamentos necessários em busca da formação. Foram assim os dois primeiros anos de graduação de Tiago,que, diariamente, se deslocava de Erechim à Universidade de Passo Fundo (UPF) para cursar Jornalismo. Dois anos duraram essa rotina de trabalho, estudo e viagens diárias, até que decidiu morar na maior cidade-sede da faculdade.

O curioso é que a Comunicação e as Artes já passavam por sua vida de uma forma diferente: ainda em Erechim, na escola municipal de Belas Artes, fez um curso de teatro e obteve trabalho na área, tanto como professor quanto em companhias, viajando pelo interior do Estado. “Meu primeiro trabalho CLT – está lá na minha carteira de trabalho – é professor. Isso com 17 anos”, revela. 

Um estágio na Jornada Nacional de Literatura do município, um dos eventos mais expoentes da área em âmbito internacional, possibilitou o primeiro contato na área de assessoria. “Eu não entrei no Jornalismo pensando na assessoria de imprensa, nem no marketing. Eu me encontrei nessa área”, comenta. Na sequência, assumiu uma vaga como estagiário na própria UPF, onde incursionou na área educacional e em que permanece até hoje. Ele revela que, até hoje, nunca trabalhou em veículos de imprensa, dedicando sua carreira inteiramente a organizações.

Um dos pontos-chave da trajetória foi a designação para trabalhar na YoUPF, revista voltada ao segmento jovem que compunha a campanha de marketing da época para o vestibular da universidade. Nessa ocasião, percebeu o talento e predisposição para esse campo, tanto na elaboração de estratégias, quanto para a implementação de ações. “Eu me lembro de abrir a conta do Orkut [da UPF]”, diz ele que, à época, era uma sugestão inovadora para uma incipiente comunicação baseada em redes sociais.

A ideia de ir a Porto Alegre surgiu do desejo de unir novas oportunidades profissionais à continuidade do desenvolvimento da carreira acadêmica. Viriam entrevistas, mudanças, novas conjecturas para a vida e o emprego como analista de Comunicação no Colégio Marista Rosário, o primeiro emprego na capital do Estado. No total, seriam nove anos dedicados ao universo Marista, incluindo um convite para a coordenação de Marketing da União Brasileira de Educação e Assistência (UBEA), mantenedora da rede.

Novos rumos

A mudança para o Fleming marcou uma virada na trajetória de Tiago Rigo. Se, antes, sua formação havia passado por um ambiente mais confessional, foi no novo emprego, alçado à da liderança comunicacional, que se reconectou com uma lógica mais mercadológica da educação. Ali, incorporou com mais força a visão de marketing de performance — orientada a resultados, métricas e estratégia.

O período coincidiu com a pandemia, que impôs desafios inéditos à educação. Em meio a esse cenário, Tiago participou da implementação do novo colégio do Fleming – projeto que lhe rendeu o prêmio Top de Marketing da Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil – RS (ADVB/RS).

A proximidade com os educadores marcou sua passagem. A experiência extrapolou a gestão: Tiago chegou a ministrar uma aula eletiva de comunicação, ampliando seu vínculo com a sala de aula. A rotina era intensa, mas já apontava para um movimento que se consolidaria pouco depois.

Entre a sala de aula e as plataformas

Em 2023, Tiago ingressou como professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, levando consigo a bagagem híbrida entre mercado e educação. Passou a atuar com foco em mídias, justamente em um momento em que a chegada da Geração Z às instituições de ensino já não era mais tendência — era realidade. “Quando as pessoas da Gen Z entraram no colégio, eu já estava no colégio”, resume.

A inquietação com esse fenômeno também orientou sua trajetória acadêmica. No doutorado, buscou compreender como essa geração impacta o consumo de mídias sociais. O resultado foi a tese Geração Z e plataformas: uma convergência propulsora de tendências, em que analisa um cenário de atenção fragmentada e disputa constante por relevância. Para ele, o contexto atual é mais competitivo do que nunca. “A atenção das pessoas está muito diluída”, afirma. Ainda assim, evita uma leitura pessimista: “Eu acredito muito nessa geração que está vindo. A gente tem de tomar cuidado de não se cansar com essas mudanças”.

Em meio às transformações tecnológicas, Tiago defende um reposicionamento do olhar. Para ele, ferramentas como a inteligência artificial tendem a deixar de ser o centro do debate — não por perderem importância, mas por se tornarem parte do cotidiano. “O desafio não é falar sobre IA, é usar a IA acima da média”, diz. Nesse cenário, ele aposta em um retorno à base da comunicação: a escuta. “A essência da comunicação é ouvir as pessoas. Foi por isso que eu fiz Jornalismo”.

A síntese dessa trajetória diversa aparece na forma como se define: “Eu me considero um profissional de comunicação 360º”. A expressão não surge como clichê, mas como reflexo de uma carreira que atravessa ensino, gestão, estratégia e prática.

O movimento mais recente reforça esse perfil multifacetado. Em abril de 2026, pouco depois do carnaval, Tiago foi convidado a assumir a direção de Educação Continuada da PUC. Na nova função, passou a lidar com programas de especialização, mestrado e doutorado, além de coordenar uma equipe de cerca de 40 pessoas. A mudança amplia o escopo de atuação — e também o nível de responsabilidade.

“Fico feliz com o reconhecimento, mas é uma responsabilidade muito grande”, afirma. O compromisso, segundo ele, está ancorado em resultados e inovação, sem abrir mão do desenvolvimento das equipes.

Entre erros, aprendizados e futuro

Ao olhar para trás, Tiago evita romantizar a própria trajetória. Reconhece a imaturidade de anos anteriores, mas recusa a ideia de arrependimento. “Eu diria para o Tiago de dez anos atrás: ‘tu tá começando, tá tudo bem. Lá na frente, vai ser bom’”, diz. “Eu não trago traumas, eu trago experiências”.

A fala sintetiza também a forma como enxerga o coletivo. Ao longo do percurso, valoriza não apenas professores, mas também gestores que lhe abriram caminhos. “Se eu chego até aqui, é porque não venho sozinho. A gratidão é algo importante pra mim”.

Orientado por resultados, mas atento ao fator humano, ele afirma buscar esse equilíbrio tanto na liderança quanto em sala de aula. “Eu cobro as pessoas, mas sou muito humano. É isso que eu inspiro os alunos a serem”. Entre a pressão por desempenho e a necessidade de escuta, Tiago constrói uma trajetória que tenta conciliar exigência e sensibilidade — como alguém que aprendeu, ao longo do caminho, que comunicar também é, antes de tudo, compreender.

Família como eixo

Se a trajetória profissional de Tiago Rigo é marcada pelo movimento constante, é na relação com a filha, Alice, de seis anos, que ele encontra seu ponto de equilíbrio. “Eu amo trabalhar, eu não espero o fim de semana para ser feliz”, afirma — mas faz questão de estabelecer o limite claro de não abrir mão de estar com a filha. A intensidade com que se dedica à carreira convive com a presença ativa na vida da menina, de quem se orgulha por crescer em um ambiente atravessado pela educação. 

Ao lado da esposa, Andressa Lemes, relações-públicas que atua com endomarketing na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Tiago viveu, também, uma parceria acadêmica: os dois se formaram juntos na pós-graduação – ela no mestrado, e ele, no doutorado, em um momento singular para a família.

Entre agendas cheias e responsabilidades crescentes, é nesse núcleo que ele se ancora — porque, no fim das contas, é fora do currículo que ele mede o que realmente importa.

Autor

Eduardo Rius

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One Comment

Marilene Lemes

Parabéns, pela matéria: assim se define o Tiago Luís Rigo ! Quem o conhece sabe da sua trajetória profissional e pessoal Foco , responsável no que se propõem, família, e humildade uma das suas características bem definidas! Eu sempre acreditei muito no potencial desse menino iluminado! É crédito vias longe Tiago, com o teu jeito grandioso, curioso e inteligente de ser !! Então: vooa 🚀🚀🚀🚀🚀😊

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