Renomado jornalista e colunista, amplamente conhecido por sua coluna diária no jornal O Globo, Ancelmo Gois foi o convidado da 84ª edição da ‘Nova Coonline’. Na conversa com o grupo virtual de jornalistas veteranos, realizada na última semana, ele falou sobre a sua trajetória pessoal e sobre os desafios atuais da profissão, como a falta de confiança na imprensa, as fake news e o impacto das redes sociais.
Ancelmo, que cresceu no sertão de Sergipe, relatou que demonstrou interesse por Política desde muito jovem. Ele começou a carreira aos 15 anos, como office-boy em um jornal socialista, do qual, mais tarde, seria repórter, enfrentando desafios durante a ditadura. “Depois do AI-5, fui preso. Fiquei 43 dias na prisão e lá tomei conhecimento de outros presos, que tinham mais sofisticação, que conheciam o pensamento político, as ideias socialistas e marxistas”, contou.
Ao sair da prisão, recebeu a proposta para estudar na União Soviética em uma escola comunista. Contudo, foi no retorno ao Brasil que passou a se envolver de forma mais ativa na Política e no Jornalismo.
Influência do ambiente digital e fake news
Ancelmo trabalhou em várias publicações importantes, incluindo Veja e Exame. Também foi colunista no Jornal do Brasil e, atualmente, está no Globo há mais de 20 anos. Ao ser questionado sobre os atuais desafios que enfrenta na profissão, o jornalista comentou que as colunas em formato de nota tinham uma relevância maior no passado, mas que isso foi mudando com as redes sociais. “O mundo digital fez com que todo mundo virasse jornalista de notas curtas”, pontuou.
Para ele, embora a democratização do ambiente digital tenha ampliado o consumo de informações, a qualidade das notícias diminuiu. Além disso, a disseminação rápida de informações traz desafios para a apuração e veracidade dos fatos. “As fake news, na dimensão e na extensão de hoje, é, rigorosamente, uma doença. Isso atrapalha muito quem tenta fazer um trabalho mais sério”, comentou. Nesse contexto, o papel do jornalista deve ser curar e filtrar as informações disponíveis.
Desconfiança na imprensa
O convidado também falou sobre a desconfiança em relação à imprensa, que ele considera algo crescente. “Eu gostaria que as pessoas confiassem mais na gente, porque, de um modo geral, as pessoas que eu conheci nas redações são de boa-fé. Cometem erros, fazem besteira, dão barrigada, mas são de boa-fé”, reforçou. Embora tenha admitido não acreditar na isenção do Jornalismo, visto que todos têm opiniões influenciadas por sentimentos pessoais, Ancelmo defendeu o impacto positivo que a profissão tem na sociedade.
Ao longo do bate-papo, o convidado ainda trouxe sua visão a respeito de ideologias políticas e das crises de anunciantes – citando as dificuldades financeiras de grandes jornais nos Estados Unidos. Ancelmo comentou, ainda, sobre escândalos recentes que tomam conta das editorias de Política e finalizou falando sobre mudanças políticas e sociais e o movimento ambientalista.
Confira a conversa completa abaixo:

