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Biblioteca Nacional disponibiliza novas edições regionais de O Pasquim em acervo digital

Espaço passa a reunir 114 publicações das franquias do Rio Grande do Sul e de São Paulo

Ao todo do Rio Grande do Sul, o projeto na Biblioteca Nacional apresenta 58 publicações - as exceções faltantes são a de número 18 e 39. Crédito: Reprodução.

O Pasquim recebeu uma atualização em seu acervo digital. Depois de disponibilizar integralmente as 1.072 edições originais do periódico, o catálogo gratuito da Biblioteca Nacional Digital (BNDigital), da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), passa agora a contar também com 114 exemplares de duas franquias históricas do jornal: Rio Grande do Sul e São Paulo.

Criado no fim da década de 1960 pelo cartunista Jaguar e pelos jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral, O Pasquim tornou-se um dos principais símbolos do Jornalismo alternativo durante a ditadura militar brasileira (1964–1985). Com linguagem irreverente e crítica, destacou-se por charges, cartuns, artigos e entrevistas, reunindo nomes como Ziraldo, Henfil, Ivan Lessa, Millôr Fernandes e Ruy Castro. Os arquivos estão disponíveis no portal da Hemeroteca Digital Brasileira e passam a integrar um acervo com mais de sete mil títulos históricos digitalizados pela Fundação Biblioteca Nacional.

A novidade chega em um momento simbólico: 2026 marca os 40 anos do lançamento dessas iniciativas fora da sede original d’O Pasquim, no Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, o jornalista Flávio Braga liderou as 60 edições semanais da publicação. Na Biblioteca Nacional, estão disponíveis 58 exemplares — faltam apenas as edições 18 e 39. “A possibilidade de criar a versão regional do melhor jornal satírico que o Brasil já teve colocou-se diante de mim como um sonho. Eu tinha 31 anos e era leitor d’O Pasquim desde a adolescência. Foi uma experiência esplêndida de jornalismo e de relacionamento político e cultural. Valeu muito a pena”, relembra.

Já em São Paulo, foram publicadas 56 edições semanais sob coordenação de Paulo Markun e Manoel Canabarro, com apoio de Dante Matiussi. “A disponibilização dessas novas edições resgata um capítulo importante da história d’O Pasquim e da mídia paulistana como um todo”, avalia Markun. Segundo ele, o desafio de representar a marca era enorme, mas a equipe conseguiu deixar um legado importante dessa experiência.

Sobre a iniciativa

A ampliação do acervo é resultado de um novo trabalho voluntário de curadoria liderado por Fernando Coelho dos Santos, responsável pelo projeto de digitalização de O Pasquim, desenvolvido desde 2019. Nesta etapa, ele contou com o auxílio de Gualberto Costa e Vinicius Martins. “Essa nova fase complementa um esforço iniciado há mais de sete anos. Mais do que admirador do trabalho deles, acredito que o Brasil precisa manter essa memória disponível e, mais importante, viva para sempre”, afirma.

Além das edições digitalizadas, o portal disponibiliza textos na seção Memórias, que reúne histórias marcantes da trajetória do veículo. O espaço conta ainda com colaborações de personalidades como Chico Buarque, Rubem Fonseca, Odete Lara e Paulo Francis, que compartilham suas relações com o jornal. “A ampliação do acervo de O Pasquim reafirma o papel da Biblioteca Nacional Digital em assegurar o acesso livre e qualificado a conteúdos fundamentais da história brasileira”, destaca Otávio Oliveira, coordenador da BND, que celebra 20 anos de existência em 2026.

 

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