
Palestrante no primeiro Summit Empreender 40+, realizado no ano passado, Cris Pàz retornou ao palco do Teatro do Bourbon Country nesta quarta-feira, 13, para a segunda edição do evento. A escritora, comunicadora e palestrante falou sobre a sua relação com o tempo na apresentação ‘Vista cansada ou foco no que importa?’.
Ela iniciou suas reflexões com base na própria trajetória de vida, retomando contextos da infância e como eles mudaram ao longo do tempo. “Nascemos e ouvimos histórias que contam para nós, mas, principalmente, histórias que contam sobre nós. E isso é um grande perigo”, alertou. Cris relatou que “difícil” e “chata” foram alguns dos adjetivos que ouviu dentro da sua dinâmica familiar e que isso fez com que não se sentisse ouvida: “Eu fui acreditando que as histórias que contavam sobre mim eram verdadeiras”.
Dando sequência ao relato pessoal, ela falou sobre a perda da mãe, em 1994, e do pai, sete anos depois. Entre 2002 e 2003, também passou pela interrupção espontânea de duas gestações, antes que os bebês completassem dois meses. Contudo, o maior ponto de ruptura da sua história foi em 2007, quando, grávida do filho Francisco, perdeu o marido no sétimo mês de gestação.
Foi assim que percebeu que “a vida não tem controle remoto”. “Era como se estivesse assistindo a um filme e ele parou. Era o filme da minha vida. Então, o primeiro aprendizado que levo é que, quando descobrimos que não estamos no controle da vida, o alívio é grande”, afirmou. Para Cris, a vida se assemelha mais a uma peça de teatro de apresentação única. “Quando me dei conta que estava no palco, a plateia já estava me vendo e eu precisava atuar”, destacou.
Luto, alegria e envelhecimento
A partir da perda do marido, nasceu o blog ‘Para Francisco…’, no qual escrevia textos para o filho a respeito do pai. “Se, em relação à morte, eu não podia fazer nada, em relação ao meu luto eu podia fazer algo”, pontuou. A página se popularizou e, posteriormente, se transformou em livro.
“E se eu precisei de uma fonte onde colocar o luto, precisei de outra onde colocar a alegria”, acrescentou, para contar da criação de um segundo blog, o ‘Hoje vou assim…’, voltado à Moda. O projeto também resultou em livros e mais reconhecimentos. “Quando as mulheres descobriram que eu tinha perdido um marido grávida, não entendiam como isso se encaixava na mesma pessoa que falava de Moda. Mas a vida é alegre e triste ao mesmo tempo. Dê conta disso!”, pontuou.
De acordo com Cris, envelhecer é uma “aula de empatia”. “Filhos costumam parir grandes empreendedoras e empreendedores, mas a idade também pode fazer isso com a gente”, argumentou. Contudo, alertou ela, é importante olhar para si mesmo com carinho. “O etarismo é prejudicial. E nós praticamos ele a partir de nós mesmos. Precisamos desconstruí-lo todos os dias”, defendeu.
Ao apresentar dados sobre envelhecimento e diferenças nas pirâmides etárias ao longo dos anos, a palestrante refletiu: “Estamos vivendo mais, mas, cada vez mais, o que aprendemos tem prazo de validade menor”. Por fim, Cris defendeu o potencial do envelhecimento de ser uma curadoria da própria vida. “Aprendemos a fazer melhores escolhas e a dizer mais não”, concluiu.
A equipe de Coletiva.net está presente na segunda edição Summit Empreender 40+, realizado em 13 de maio, no Teatro Bourbon Country, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Márcia Christofoli, Patrícia Lapuente, Márcia Dihl e Sarah Acosta e a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook e Threads — e conteúdos exclusivos no Instagram e drops na Coletiva.rádio

