
A criação de ambientes seguros para testar tecnologias e modelos de negócio foi um dos temas debatidos nesta quarta-feira, 3, no GovTech Summit, realizado no Centro de Eventos da PUCRS. Carina Quirino, subsecretária de Regulação e Ambiente de Negócios do Sandbox Rio, compartilhou a experiência da capital fluminense na experimentação regulatória. A mediação foi de Willian Rigon, sócio-diretor de Novos Negócios da CSC Necta.
A executiva explicou que o Sandbox Rio foi criado para testar produtos e serviços que ainda operam em zonas de incerteza regulatória. Nesses casos, tanto o setor público quanto as empresas nem sempre têm clareza sobre como determinada solução deve funcionar dentro das regras existentes. Ela afirmou que o modelo gera um ambiente controlado para avaliar riscos, oportunidades e impactos antes da implementação definitiva de novas tecnologias.
Contudo, a subsecretária destacou que o principal elemento para viabilizar iniciativas desse tipo não é necessariamente financeiro ou tecnológico, mas político. Para ela, a disposição das lideranças públicas em apoiar processos de inovação é determinante para o sucesso de qualquer projeto.
“Não se faz nada sem vontade política”, pontuou. Além disso, para Carina, as políticas de inovação precisam nascer dentro dos governos, mas devem ser estruturadas para sobreviver às mudanças de gestão e se consolidar como políticas de Estado.
Adaptação a diferentes contextos
Ao abordar a realidade dos municípios brasileiros, Carina observou que não existe uma fórmula única, pois cada cidade possui desafios, capacidades e contextos regulatórios distintos. A partir de pergunta do mediador, a executiva também relembrou o processo de implementação do Sandbox Rio.
Segundo ela, a iniciativa surgiu a partir de um diagnóstico sobre o ambiente regulatório da cidade e da percepção de que era necessário criar mecanismos para reduzir a distância entre reguladores e inovadores.
Outro ponto trazido por Carina foi que muitas ferramentas de inovação podem ser implementadas sem depender de alterações legislativas complexas. Decretos, resoluções e outros instrumentos administrativos, segundo ela, frequentemente são suficientes para criar condições favoráveis à experimentação.
A subsecretária também reforçou que a segurança jurídica continua sendo uma condição indispensável para o avanço da inovação. “É preciso entender que, no final do dia, os processos importam. Isso depende de saber, de fato, quem tem a competência para agir e se o particular, aquele que quer testar, se sente seguro em conversar e dialogar dentro da cidade”, afirmou.
Com o apoio da Prefeitura de Canoas e, a equipe de Coletiva.net está presente na terceira edição do GovTech Summit, realizado em 2 e 3 de junho, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Márcia Christofoli, Patrícia Lapuente, Márcia Dihl e Sarah Acosta e a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook e Threads — e conteúdos exclusivos no Instagram e drops na Coletiva.rádio.


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