O jornalista e advogado Filipe Peixoto teve a oportunidade de entrevistar, em São Paulo, a advogada e ativista ucraniana Oleksandra Matviichuk, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2022 pelo seu trabalho na defesa dos direitos humanos.
A pauta surgiu a partir da confirmação de que Oleksandra estaria no Brasil para uma série de compromissos. Foi então que Peixoto, que atua conciliando a prática jornalística com o direito, enxergou uma oportunidade de diálogo com a profissional.
“A voz que precisa ser ouvida”
Para o repórter, ouvir Oleksandra é essencial em tempos de crescente indiferença diante de guerras e violações de direitos. “Ela consegue resgatar a nossa capacidade de indignação”, afirmou. Segundo ele, nunca antes na história houve tantos registros visuais das atrocidades cometidas por pessoas contra outras. Mesmo assim, o público já não reage com a mesma força. “Nosso estômago não embrulha mais ao assistir aos telejornais”, observou o jornalista. Peixoto acrescenta que a ativista chama atenção para a crise do sistema jurídico internacional. “Ele falha miseravelmente na sua principal função: garantir a paz entre as nações”, ressaltou.
Entre o Jornalismo e o Direito
O repórter destacou que a entrevista também trouxe reflexões sobre a própria trajetória profissional. Atuando em duas áreas complementares, ele viu no encontro uma forma de unir perspectivas. “Minha primeira pergunta a ela foi: a lei ainda pode prevenir uma guerra ou voltamos a viver ‘a lei do mais forte’?”, contou. Para ele, essa questão é crucial porque as nossas vidas estão interligadas por regras internacionais que precisam ser cumpridas.
No campo econômico, Peixoto lembra das violações cometidas pelo governo Trump. “Ao impor tarifas ilegais de importações como forma de chantagear outros países, descumpriu uma série de normas do comércio internacional”, explicou. Para o repórter, o Jornalismo não pode normalizar esse tipo de prática. “É preciso usar as palavras certas para definir o que está acontecendo”, afirmou.
Mais do que uma pauta, a conversa com Oleksandra representou um marco pessoal para o jornalista. “Foi a renovação do meu compromisso de continuar batalhando por um mundo mais justo”, concluiu.

