Este é o último dia da semana que tanto debateu e pôs luz ao universo feminino, em virtude da passagem do Dia Internacional da Mulher, celebrado na última segunda-feira, 8. E, para marcar a data, Coletiva.net ouviu mulheres importantes na Comunicação gaúcha acerca de suas opiniões, lutas e entendimento do seu papel no mercado. Encerra, então, a comemoração do portal a jornalista esportiva Alice Bastos Neves.
Apresentadora do Globo Esporte RS, da RBS TV, Alice teve o quinto perfil feminino mais lido na história do portal. A série especial ‘Semana da Mulher’ termina nesta sexta-feira, 12, e traz aos leitores o bate-papo com quem luta contra um câncer de mama e acredita que este momento de autocuidado a fez refletir ainda sobre quem ela é. Para Alice, o Dia da Mulher é de luta. Ainda que faça isso todos os dias do ano, este, em especial, é marcado pelos debates.
Confira o bate-papo:
Alice Bastos Neves
Apresentadora do Globo Esporte RS, da RBS TV
Quinto perfil mais lido de todos os tempos no Coletiva.net
1 – Quem é Alice Bastos Neves?
Uma jornalista, mãe, filha, irmã, dinda, amiga, colega, que está sempre buscando leveza em tudo na vida. Quando tive o diagnóstico de câncer de mama, em janeiro do ano passado, naquele momento de reflexão e autocuidado, escrevi um texto nas redes sociais que acredito que seja um pouco da definição que tenho de mim mesma. Ali, eu falava de muitas versões e a eterna busca por ser inteira em todas elas. Na minha “inteireza”, me entrego, me atiro, me dedico a tudo que faço. Desde cada desafio (que muitas vezes eu mesma crio e proponho) no trabalho até às pessoas que fazem parte da minha vida. Gosto de intensidade, mas vivo em briga interna constante para não transformá-la em ansiedade. Muita gente diz que sou criativa, mas adoro um clichê. E um dos grandes ocupa minha mente quando penso no que quero para mim: a busca constante por evolução através de trocas e aprendizado, e ser hoje sempre melhor do que fui ontem.
2 – Qual é o sentido do Dia Internacional da Mulher na tua vida?
Para mim, o 8 de março é, antes de qualquer coisa, um dia de luta. A minha relação pessoal com essa data foi se desenvolvendo e se intensificando ao longo dos anos. Até pela posição que ocupo no trabalho, em um ambiente predominantemente masculino ainda, fui entendendo a importância da representatividade que tenho e do quanto posso e devo usá-la para encorajar e incentivar outras mulheres. Procuro fazer isso todos os dias, mas nessa data especialmente.
3 – Como é ser mulher no mundo da Comunicação?
Ser mulher no mercado de trabalho como um todo ainda é extremamente desafiador. Infelizmente, em muitas empresas ainda não temos apoio e respaldo suficientes para poder lidar com questões básicas como maternidade e carreira. Temos longos caminhos a serem percorridos, de busca por igualdade de reconhecimento, ocupação de cargos de liderança, salários, entre tantos outros. A mulher no mercado da comunicação tem o diferencial de poder usar o seu ofício para dar voz a outras mulheres na busca por melhores condições. Podemos nos responsabilizar mutuamente em buscar mais fontes femininas em nossas pautas e apurações, contar histórias inspiradoras de mulheres, e através da nossa profissão materializar as tão necessárias sororidade e representatividade.
4 – O que sentes ao saber que tua história está entre as mais lidas em Coletiva.net?
Fico extremamente feliz e lisonjeada. Trabalho todos os dias para tocar o coração das pessoas de alguma forma. E a figura que está na televisão, apresentando o Globo Esporte, não é diferente daquela que cozinha em casa, vai ao supermercado, à academia, leva o filho na escola, ajuda uma amiga, bate papo com o vizinho… Não tem como separar a jornalista da pessoa. E é com essa verdade que construo minha carreira todos os dias. Quando descubro que bastante gente gostou de saber da minha história, reforço que muita, mas muita gente mesmo, construiu e constrói ela junto comigo. Então, o principal sentimento é de gratidão a todos.
5 – O que desejas para todas as mulheres?
Tem uma frase que circula nas redes sociais no Dia da Mulher que diz: “liberdade é pouco, o que eu desejo ainda não tem nome”. Ela reflete um pouco do meu sentimento. Eu desejo tantas coisas para nós, mulheres… Que reconheçamos a nossa própria força e não sejamos impostoras de nós mesmas. Que sejamos respeitadas pelo que somos, que não nos sintamos obrigadas a seguir padrões estéticos, que não sejamos vítimas da violência absurda que nos mata pelo simples fato de sermos mulheres. Que sejamos, enfim, livres de tudo que ainda nos aprisiona.


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial