Um estudo feito pela Escola Medill de Jornalismo, Mídia e Comunicação Integrada em Marketing, da Northwestern University de Illinois, nos Estados Unidos, analisou a situação dos veículos de Comunicação locais. A pesquisa identificou que, do fim de 2019 até maio de 2022, mais de 360 jornais foram encerrados em todo o país, isso representa uma média de dois veículos fechados semanalmente. Se esse ritmo continuar, um quinto dos remanescentes deixará de existir até 2025.
O levantamento também mostra que, na maior parte das comunidades onde os jornais fecharam, não foi aberto um substituto impresso ou digital, o que deixou 70 milhões de residentes dos Estados Unidos sem um veículo de notícias local. Nesse sentido, o relatório salienta que o problema acentua desigualdades econômicas e sociais, dividindo ainda mais o país entre os mais ricos, que têm acesso a notícias locais de qualidade, e os mais pobres, que perderam esses conteúdos.
Penelope Muse Abernathy, autora principal do relatório, considera que isso “é uma crise para a nossa democracia e a nossa sociedade”. “Invariavelmente, as comunidades economicamente carentes e tradicionalmente carentes, que mais precisam do jornalismo local, são onde é mais difícil sustentar as organizações de notícias impressas ou digitais”, explica. Isso reflete diretamente na política do país: comunidades sem um veículo de notícias impresso ou digital registraram menos participação eleitoral e aumento na corrupção.
O relatório pontua que, embora os jornais locais estejam fechando, houve aumento de financiamentos corporativos e filantrópicos, o que contribuiu para a criação de 64 sites focados em notícias estaduais ou municipais. A maior parte deles, porém, localiza-se em áreas urbanas, onde há mais fontes de recursos.

