Notícias

Vítima de câncer, fotógrafo Alfonso Abraham morre em Porto Alegre

Nascido na Espanha, profissional veio ao Brasil com dois anos de idade e construiu a trajetória na imprensa gaúcha

A noite da última terça-feira, 4, trouxe uma perda para a Fotografia e o Jornalismo gaúchos: aos 71 anos, morreu o fotógrafo Alfonso Abraham Lheureux. Vítima de câncer, ele estava internado no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre. As cerimônias de despedidas aconteceram no cemitério Ecumênico João XXIII durante a manhã de ontem, 5. O profissional deixa a esposa Diana, com quem foi casado por 21 anos, os filhos Pablo e Julia, a enteada Rafaela, além de dois netos, a mãe, de 98 anos, e uma irmã.

Natural de Barcelona, na Espanha, ele veio ao Brasil com a família aos dois anos de idade, para fugir da ditadura instaurada após a Guerra Civil Espanhola, e construiu sua trajetória em veículos de imprensa do Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, onde morou durante toda a vida, começou a trabalhar na Caldas Júnior junto com o pai, o também fotógrafo José Abraham, em 1970. Mais tarde, atuou na Zero Hora e, posteriormente, na Folha da Manhã.

Também teve passagens pela Focontexto, primeira agência de imagens brasileira que produzia fotografias para veículos jornalísticos do Brasil e Exterior. Além disso, trabalhou na campanha do senador Pedro Simon e foi chefe do departamento fotográfico da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul durante o governo de Germano Rigotto, de 2002 a 2004. Tudo isso sem nunca abandonar a paixão que tinha em registrar as paisagens e belezas da Capital e do Estado. 

Em 2010, junto com a esposa, montou o Café da Imprensa Livre, que funcionava no Edifício Alberto André – mesmo prédio da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) – e tinha como proposta o estilo galeria, para expor fotografias. Ainda foi autor de dois livros, ‘20 anos de Luta Democrática’ e ‘Berra Teotônio’, e estava prestes a concluir a terceira publicação, sobre os 250 anos de Porto Alegre. Sua última exposição, intitulada ‘O Rio Grande na Era dos Trens’, aconteceu em 2019 no saguão do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul (TRT-RS).

Primo de Alfonso, o assessor de imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), Renato Sagrera, conversou com a reportagem de Coletiva.net sobre o fotógrafo que, segundo ele, tinha o dom de ensinar. “Aprendi muito com ele no começo da minha carreira jornalística. Era um ser humano fantástico, sempre de bem com a vida. Amava a natureza e os animais e, coincidentemente, partiu para a eternidade no Dia de São Francisco de Assis”, salientou.

Sagrera o definiu ainda como um profissional “exemplar e perfeccionista”, que sempre buscava o diferencial em suas fotografias, com detalhes que normalmente passariam despercebidos. “Uma perda irreparável para todos nós, mas tenho a certeza de que está com Deus na eternidade”, afirmou.

Entidades se manifestam

A vice-presidente da ARI, Jurema Josefa Silva, que conviveu com ele e com o pai, definiu o fotógrafo como uma pessoa perfeccionista e muito ativa. Lheureux chegou a ser conselheiro da entidade e também fez parte Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado (Arfoc-RS). O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) também manifestou seu pesar e ofereceu condolências aos amigos e familiares de Alfonso.

Compartilhar:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.