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Nos últimos 20 anos, mais de 1,6 mil jornalistas foram mortos no exercício da profissão

Números são da organização Repórteres Sem Fronteiras, que coloca o Brasil como um dos países mais perigosos

Nos últimos 20 anos, de 2003 a 2022, a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) registrou 1.688 mortes de jornalistas no exercício da profissão. Os números, que contemplam o mundo todo, colocam o Brasil entre os 10 países mais perigosos para os profissionais de imprensa.

Provenientes dos balanços anuais da instituição, os dados mostram uma média de 80 comunicadores mortos por ano nas últimas duas décadas. Contando desde o início do século, em 2000, são relatadas 1.787 vítimas fatais. “Por trás dos números, estão os rostos, a personalidade, o talento e o empenho de quem pagou com a vida a busca pela informação e a verdade, e a paixão pelo Jornalismo”, comenta Christophe Deloire, secretário-geral da RSF.

Em 2022, o número de mortos foi o mais alto nos últimos quatro anos, com 58 jornalistas assassinados no exercício de suas funções. Isso significa um aumento de 13,7% em relação a 2021, quando 51 profissionais foram vitimados fatalmente. Christophe estende suas homenagens aos trabalhadores e pede “pela garantia absoluta da segurança dos profissionais onde quer que sejam chamados a trabalhar e a testemunhar a realidade do mundo”.

Apesar dos números do ano passado, os picos da série histórica ocorreram em 2012 e 2013, com 144 e 142 casos reportados, respectivamente, impulsionados pelo contexto de guerra na Síria. Depois disso, houve uma queda progressiva na quantidade de mortos, tendo 2019 (54 casos) e 2021 (51) como os anos com menos vitimados, ficando atrás apenas de 2003 quando houve 47 registros. 

Brasil

O levantamento coloca o Brasil entre os 10 países mais perigosos do mundo para o labor. Na nona colocação, foram registradas 52 mortes no período. À frente do País estão: Iraque (299), Síria (279), México (125), Filipinas (107), Paquistão (93), Afeganistão (81), Somália (78) e Índia (58). Essas nações juntam-se a outras seis e formam o bloco dos 15 estados mais letais para profissão, já que, unidos, concentram 80% dos relatos.

Homens e mulheres

O estudo revela que 95% das vítimas são do sexo masculino e coloca como uma das causas o fato de serem mais propensos a trabalharem em zonas de conflitos. Já entre as mulheres, 81 foram mortas, sendo que a maioria dos casos entre elas (51) aconteceram de 2012 pra cá, especialmente depois de investigações sobre os direitos das mulheres. Dependendo do ano, o número de vítimas que morreram em reportagem apresentou picos: como em 2017, que registrou 10 mortes do sexo feminino para cada 64 homens mortos, um percentual recorde de 13,5% da mortalidade total. 

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