O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) registrou três novos casos de ataques a profissionais da imprensa no Rio Grande do Sul. Os episódios ocorreram nesta semana em Panambi, Porto Alegre e São Borja. Na Capital, o jornalista Alass Derivas fazia gravações no Parque Moinhos de Vento, o Parcão, na tarde de ontem, 11, quando foi intimidado.
Em publicação no próprio Instagram, o repórter conta que tentava informar, por meio das redes sociais, sobre uma manifestação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando sofreu tentativas de agressão com chutes e quase teve os equipamentos roubados. “Ao chegar ao local, um destacamento da Brigada Militar abordou o profissional, que foi revistado e obrigado a assinar um Termo Circunstanciado por Vias de Fato, como se fosse autor da violência”, complementa-se na nota do Sindjors.
Em Panambi, informa o sindicato, colaboradores da RBS TV também foram impedidos de registrar imagens de uma manifestação na última segunda-feira, 9. A Brigada Militar precisou intervir para que os profissionais pudessem trabalhar. “A equipe registrava imagens de um ato na BR-158, que tinha cerca de 10 pessoas na Avenida Adolfo Kepler, próximo ao trevo de acesso à rodovia”, explica-se na nota. Ainda segundo o Sindjors, a repórter Gherusa Cassol e os colegas foram hostilizados e um homem proferiu um soco no vidro do carro da reportagem.
Também na última segunda-feira, 9, em São Borja, o jornalista Luciano Resmini, que mantém o site SB News, registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) por comentários ofensivos e de ameaça. De acordo com o sindicato, os ataques foram registrados no portal de notícias por uma pessoa da comunidade. Após o ocorrido, o profissional decidiu fazer uma representação criminal contra o autor.
Repúdio
No mesmo comunicado, o Sindjors e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiaram e lamentaram os episódios de “intimidações, agressões e tentativa de impedimento de trabalho sofridas por jornalistas e equipes de profissionais da Comunicação no exercício de suas atividades profissionais”. As entidades ainda alegam que as “ações perversas, covardes e, muitas vezes, violentas” são práticas de grupos “extremistas”, que não aceitam a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas.
Ao destacarem a depredação dos prédios dos três poderes, ocorrida em Brasília no último domingo, 8, as organizações afirmam que no Rio Grande do Sul “não tem sido diferente”. “As instituições, representativas dos jornalistas, já acionaram os poderes estaduais e federais, manifestando preocupação com a escalada de violência contra as e os jornalistas”, finaliza-se na nota.
