De acordo com o relatório anual Killing the Messenger – ou Matando o Mensageiro, em tradução livre ao português -, realizado pelo International News Safety Institute (INSI), em parceria com a Cardiff School of Journalism, ao menos 85 profissionais de imprensa de todo o mundo morreram em decorrência do exercício da profissão no último ano. Os dados representam um aumento de 50% nas mortes, número impulsionado pela guerra da Ucrânia, onde 14 jornalistas pereceram na cobertura do conflito.
O levantamento ainda aponta que, do total, a maioria (50) dos profissionais foi baleada ou vítima de carros-bomba, mísseis, esfaqueamentos ou espancamentos. Além disso, pelo quarto ano consecutivo, o México lidera o ranking dos países mais perigosos para jornalistas, com 16 mortos. O relatório registra que este não é um fato isolado, tendo em vista que o número de casos na América Latina triplicou em comparação ao ano anterior.
A diretora do INSI, Elena Cosentino, avalia que os ataques à imprensa por parte do governo Bolsonaro contribuíram para a violência contra jornalistas na região. “É impossível não ver uma conexão, por exemplo, entre os assassinatos na Amazônia do jornalista britânico Dom Phillips e do especialista Bruno Pereira, com a retórica do ex-presidente brasileiro que, durante anos, fomentou hostilidade e, muito possivelmente, violência”, afirma.
Além disso, a pesquisa ressalta que entre os assassinatos mais preocupantes de 2022 está o caso da repórter Shireen Abu Akleh, do jornal Al Jazeera. Ela foi baleada pelo exército israelense enquanto realizava a cobertura de um confronto na cidade palestina de Jenin, na Cisjordânia. Na ocasião, a jornalista foi alvejada por militares mesmo utilizando um colete à prova de balas com a palavra “imprensa” e um capacete.

