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Massacre em SC: parte da imprensa não divulga identidade de autor do crime

Atitude da mídia estaria relacionada a pedido do Ministério Público do estado e se baseia em pesquisas de que exposição poderia estimular a violência

Esta quarta-feira, 5, ficou marcada por um acontecimento triste no Brasil. Em Blumenau, Santa Catarina, um homem invadiu a creche Cantinho Bom Pastor e matou quatro crianças. A notícia foi divulgada em diferentes meios de Comunicação nacional. Parte da imprensa, entretanto, optou por não divulgar imagens, nem dados que identificassem o agressor. Conforme comunicados de alguns desses veículos, a decisão foi tomada em função de pesquisas e recomendações de que a exposição poderia provocar o efeito contágio, de valorização e estímulo da violência, bem como em atendimento a um pedido do Ministério Público do estado catarinense.

Ainda, conforme manifestações da imprensa, essa alteração de postura valerá para demais coberturas de fatos semelhantes. No Rio Grande do Sul, o portal Porto Alegre 24 horas foi um dos que se manifestou nesse sentido. Em uma postagem nas redes sociais, o veículo informou que, além de não divulgar, excluíram tudo o que teria sido publicado sobre o fato. “Lamentamos profundamente o ocorrido e que os familiares das vítimas tenham conforto e paz nesse dia triste que abalou o país e o mundo”, termina a nota assinada pela direção. 

Confira a nota:

Em âmbito nacional, o Estadão também publicou um post com explicação da não veiculação. “O Estadão decidiu não publicar foto, vídeo, nome ou outras informações sobre o autor do ataque, embora ele seja maior de idade. Essa decisão segue recomendações de estudiosos em Comunicação e violência”, registra o texto, que diz ainda: “A visibilidade dos agressores é considerada como um ‘troféu’ dentro dessas redes”. 

Ainda a TV Globo e a CNN se mobilizaram nesse sentido. Na primeira, o anúncio foi feito no ‘Jornal Nacional’, e na última, durante o ‘CNN Prime Time’ e no Twitter: “A posição atende a um pedido do Ministério Público de Santa Catarina e segue recomendação de especialistas, sob risco de a exposição estimular futuros atos de violência”, registra. O Sleeping Giants Brasil ainda publicou um vídeo em que pede para as emissoras não estampar os rostos e nomes dos autores dos crimes.

Efeito contágio

Em entrevista à CNN, a pesquisadora do Monitor do Debate Político no Meio Digital da Universidade de São Paulo (USP), Michele Prado, explica: “Quando a mídia publica imagens do agressor ou cenas do atentado, tudo isso potencializa esse efeito contágio para outros que estão sendo radicalizados. Eles se sentem mais mobilizados a cometer atentados que já estavam planejando.”

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