Coproduzido pela Panda Filmes e Falange Produções, o documentário ‘Olha pra Elas’ estreia em Porto Alegre, no Rio de Janeiro e em São Paulo na próxima quinta-feira, 11. O longa-metragem é assinado pelos mesmos realizadores do premiado ‘Central – o poder das facções no maior presídio do Brasil’ (2017), que revelou as entranhas do Presídio Central de Porto Alegre. Dessa vez, a diretora Tatiana Sager e os roteiristas Renato Dornelles – que é codiretor – e Luca Alverdi expõem o universo feminino atrás das grades.
Tatiana Sager fala sobre o que o filme aborda: “Os homens encarcerados sofrem principalmente pelo domínio que o crime organizado exerce dentro dos presídios masculinos, que, por um lado, faz com que os presos não fiquem desassistidos durante a permanência no cárcere e, depois, cobram pela exigência da prática de crimes”. Em relação ao encarceramento feminino, ela afirma que as mulheres têm de lidar com a falta de estrutura e de adequação das prisões para a realidade feminina e com o abandono, porque é incomum as presidiárias receberem visitas. “Elas ainda sofrem com o afastamento de suas famílias, principalmente dos filhos”, explica a diretora.
Com 75 minutos de duração e rodado em seis unidades prisionais femininas do Rio Grande do Sul e de São Paulo, o longa-metragem apresenta o cotidiano de mulheres que, em comum, têm de ser mães e viver longe dos filhos. Aprisionadas, elas revelam histórias que, mesmo com suas especificidades, representam uma questão de gênero e identidade de mais de 40 mil brasileiras. Prisões precárias, abandono e desestruturação dos lares são os principais problemas enfrentados pelas apenadas.
Grávidas ou lactantes, quando presas, elas convivem um período predefinido com seus filhos – que, na primeira fase da vida, são encarcerados como se tivessem herdado uma pena. Depois, junto às crianças, elas enfrentam a traumática separação imposta, quando os bebês são entregues a um familiar ou, na falta destes, encaminhados a um abrigo.
Renato Dornelles também comenta o que é mostrado no documentário. “O sistema carcerário reproduz o comportamento machista da sociedade. Por isso, ele é tão identificado com o universo masculino”, diz. Renato também delibera sobre a realidade do aprisionamento de mulheres, que, segundo ele, expõe, geralmente, problemas familiares e sociais, que não têm consequências diretas na vida de terceiros. Ele argumenta que o encarceramento de mulheres acaba, cedo ou tarde, impactando a todos, pois os filhos das prisioneiras acabam sendo, muitas vezes, abandonados e levados a uma vida marcada pela criminalidade. “Essas crianças só se tornam visíveis se, na adolescência, cometem um ato infracional ou, depois dos 18 anos, envolvem-se em crimes. Aí, o Estado e a sociedade passam a enxergá-las, mas com a intenção de encarcerá-las” finaliza.
O filme também apresenta depoimentos de especialistas, como juízes, promotores e sociólogos. ‘Olha pra Elas’ já foi exibido no Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa (FESTin), Festival Caminhos do Cinema Português, de Portugal, València Film Indie Festival, da Espanha, e III Festival Cinema Negro em Ação, no Rio Grande do Sul. A produção também conquistou o troféu de terceiro lugar como melhor documentário do ‘37º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo’.

