De acordo com a rede Voces Del Sul (VDS), o Brasil é o país latino-americano que mais registrou ataques de gênero contra jornalistas no ano passado. Os dados foram coletados por 17 organizações da região e publicados no estudo ‘Relatório Sombra 2022’. Além disso, foram apontados 31 assassinatos de profissionais da imprensa e 1953 agressões físicas na América Latina. A pesquisa pode ser conferida na íntegra, em espanhol, no link. As versões em inglês e em português ainda serão lançadas.
Além de trazer informações sobre 13 tipos diferentes de agressão, o relatório mapeia dados sobre as vítimas e os autores dos ataques. Em 2022, 56% dos casos tiveram o estado como agressor, uma preocupação que se soma ao aumento dos casos de discurso estigmatizante, que chega a 17% em toda a região e traz um efeito de potencializar a violência. Esses números fizeram com que o ano anterior fosse o mais violento para a profissão, segundo o levantamento.
Novidade nesta edição, a pesquisa recebeu dois indicadores sobre ataques específicos contra mulheres e pessoas LGBTQIA+. O primeiro trata da violência sexual, que pode ocorrer tanto dentro quanto fora das rede sociais. Já o segundo é um indicador transversal das ofensas de gênero que podem acompanhar qualquer tipo de agressão. O Brasil lidera os dois rankings com 54 alertas ao todo. Entre as vítimas totais, 158 foram mulheres e 264 homens.
A metodologia do levantamento foi criada a partir do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16.10.01, da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Há cinco anos, o ‘Relatório Sombra’ é produzido anualmente pela VDS, com o intuito de contrastar as informações divulgadas pelos estados sobre a situação da liberdade de imprensa.

