O bom jornalismo investigativo, aquele capaz de positivamente abalar estruturas, vive. Uma prova disso nessa semana foi a reportagem do Intercept Brasil a respeito dos áudios que mostram o senador e pré-candidato à presidência da República Flavio Bolsonaro (PL)solicitando recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o longa-metragem sobre o seu pai, Jair Bolsonaro. Segundo as reportagens, o empresário teria aportado cerca de R$ 61 milhões no projeto.
Independentemente das implicações políticas do caso, Intercept Brasil cumpre um papel que é sempre esperado do bom jornalismo investigativo, que é servir como um pilar da democracia em defesa do interesse público, revelando, entre outras coisas, fatos ocultos.
E foi exatamente o que aconteceu. Até horas antes da revelação dos vídeos, o senador negava os fatos. Tanto que, perguntado a respeito por um repórter do próprio Intercept Brasil, negou, deu uma gargalhada, disse que era mentira e hipocritamente chamou o profissional de “militante”. Horas depois, acuado pelo bom jornalismo, se viu obrigado a admitir.
Por isso que repito que é sempre bom ver a imprensa pautando o país com fatos verdadeiros. Principalmente numa época de fake News. Felizmente, Intercept Brasil não é único nessa tarefa. Aqui mesmo no Rio Grande do Sul temos grandes profissionais investigativos fazendo contraponto às fake News e ao jornalismo caça-cliques.

