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Vivemos a época do Jornalismo declaratório, diz Caco Barcellos na PUCRS

O jornalista e apresentador do ‘Globo Repórter’, Caco Barcellos, participou de um bate-papo no auditório do segundo andar da Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). A ocasião se deu horas antes do comunicador receber o ‘Prêmio Alumni PUCRS 2023’. Caco avaliou que “nós vivemos a época do Jornalismo declaratório”, em referência ao atual estado do mercado dessa profissão.

No início da conversa, Caco compartilhou sua trajetória, desde os estudos em uma brizoleta – pequenas escolas criadas pelo governo de Leonel Brizola – ao ingresso na PUCRS, primeiro em Matemática e depois em Jornalismo, que ele pagou com o dinheiro que ganhou como taxista ao longo de cinco anos. A mudança de caminho se deu ao criar – junto a um grupo de hippies, com os quais criou laços de amizade – um periódico para o curso em que estudava. Certo dia, relembrou, vendeu uma cópia ao jornalista Jefferson Barros, à época da Folha da Manhã, que reconheceu o talento do jovem e o chamou para trabalhar no jornal.

Lá, explicou o jornalista, ficou por anos, sem revelar que ainda era taxista. Quando, certo dia, descobriram isso, ele decidiu se demitir, sentindo vergonha por ter ocultado o fato. Elmar Bones, seu chefe, convenceu-o a desistir e permanecer no veículo. Aproveitando a segunda ocupação do funcionário, ele pediu-lhe que contasse uma história experienciada transportando passageiros. O repórter, então, contou da vez que levou um homem embriagado que, quando perguntado sobre o destino, disse “segue aquela vagabunda”, referindo-se a sua própria esposa. Após a publicação da matéria, no dia seguinte, Elmar lhe trouxe o jornal impresso, com seu nome riscado: neste dia, Cláudio Barcellos de Barcellos tornou-se Caco.

Em seguida, ele falou sobre um de seus livros, o ‘Rota 66’, em que aborda os abusos cometidos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM-SP). Segundo ele, as violações de direitos humanos cometidas pelo órgão só tiveram visibilidade após matarem três jovens de classe média-alta, sendo um deles de uma família amiga do então governador de São Paulo, Paulo Egídio. O jornalista explicou que eles foram confundidos com pessoas humildes, filhas de pais trabalhadores. Caco passou anos estudando caso a caso as mortes causadas por PMs paulistas, que eram superiores a quatro mil.

O evento contou com a participação, principalmente, de estudantes de Jornalismo – da própria Famecos ou de outros locais, como a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). A mediação foi feita pelo diretor do Instituto de Cultura da PUCRS, Ricardo Barbacena, e pela decana da Famecos, Rosângela Florczak.

Perguntas da plateia

Após as interações com os colegas de palco, Caco respondeu a questionamentos dos espectadores. Em relação a uma pergunta feita pelo Coletiva.net acerca de recomendações que teria a quem deseja seguir uma carreira em Reportagem Investigativa, ele trouxe três sugestões: “Persistência, persistência, persistência.”

Além disso, explanou sobre diversos outros assuntos, como a Ditadura Militar de 1964 a 1985, chamada por ele de a primeira fábrica de fake news da história do Brasil. Provocado a respeito das redes sociais, onde alegou que frequentemente é ofendido, o jornalista declarou que elas são um “palco de desqualificação, sobretudo”.

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