As pessoas se preparam muito mais para o sucesso do que para o fracasso. Essa é uma das premissas que Pedro Espinosa aborda em ‘Prepare-se para o insucesso’. O jornalista, que tem passagens pela Band-RS, pelo Grupo RBS e pelas rádios Grenal, Ipanema FM, Pop Rock e Mix, está reforçando uma outra frente de atuação: a de palestrante. As apresentações, que ele encara mais como um bate-papo, são versáteis: podem ser direcionadas desde o público corporativo até adolescentes.
Em conversa com a reportagem de Coletiva.net, Pedro contou que a motivação para o desenvolvimento da palestra surgiu há três anos e meio, com o diagnóstico de Dermatopolimiosite. A doença autoimune é rara e causa inflamação crônica na pele e nos músculos, resultando em fraqueza muscular progressiva e lesões cutâneas. “O primeiro sintoma que eu tive foi a perda da voz, a minha principal ferramenta de trabalho. Então foi um percalço pessoal e profissional”, afirmou.
Foi nesse momento que passou a refletir sobre o insucesso. “Temos uma tendência a achar que vamos brilhar o tempo inteiro, quando na verdade isso não acontece. Grande parte da caminhada é feita de dificuldades”, pontuou. Para Pedro, é possível tirar proveito das situações difíceis. “O sucesso é fugaz e passageiro, ele dura pouco, mas o insucesso não. Ele é uma parceria quase para a vida inteira e quando nos preparamos para isso, na hora que o sucesso chega, ele é mais fluído e sereno de ser administrado”, defendeu.
Sem positividade tóxica
Pedro explicou que uma das suas motivações é conscientizar mais as pessoas de que “todo mundo tem a sua mochila de problemas”. “Mas saber lidar com essas turbulências é fundamental para que tenhamos, pelo menos, momentos felizes”, defendeu. Inclusive, para o comunicador, que se define como alguém “antipositividade tóxica”, a felicidade plena é algo que não existe. “Eu creio em Deus, sou espírita, mas não tenho a crença de que tudo vai dar certo o tempo todo”, explicou. Ainda assim, é possível transformar situações que não sejam positivas em um cenário mais frutífero, mesmo em uma realidade desfavorável.
Ele revelou que é comum que pensem que o seu bate-papo é um “preparo para o fracasso”. “E eu quero que as pessoas tenham mesmo essa impressão, quero criar essa controvérsia, essa ideia meio insana na cabeça de quem vai assistir”, acrescentou. Contudo, ao longo da apresentação, por meio da troca de ideias, da provocação e até mesmo do humor gerado por imitações e casos da vida pessoal de Pedro, o público se dá conta que não se trata disso. “É justamente uma constatação vital por meio de exemplos verdadeiros, que são os meus”, justificou.
É por isso que ele espera que aqueles que participarem do bate-papo possam levar insights não para resolver os insucessos, mas, sim, para encaminhar uma forma diferente de encarar e de tentar achar soluções para eles. “Não quero ter a petulância de dizer que dou dicas. A palestra não tem nenhum intuito de coaching, convencimento ou de doutrinação. É um conto de histórias e passagens, bem ilustrado, com fotos, para que a pessoa que está assistindo consiga ver algo que a modifique”, afirmou.
Pedro também deseja que o público saia mais leve, com novas perspectivas sobre humor e sobre a vida. “Nesse bate-papo eu levo justamente todas as mazelas que vivi nos últimos anos, desde a perda da voz até os problemas de pele e a amputação de um dedo da mão, mas com bom humor e leveza”, contou. Outro ponto que aborda é a religião: “Quando surgem os problemas, reaparecem crenças que estavam esquecidas. A pergunta que fazemos é: ‘Por que eu, meu Deus?'”. Ele entende que cerca de 90% das situações negativas que acontecem com alguém costumam ser geradas pela própria pessoa. “Sempre uso a metáfora da conta. Às vezes tem contas que conseguimos pagar em 12, 24 ou 48 vezes, mas outras temos que pagar ‘na bucha’, à vista”, ilustrou.
Desafios que se transformam em combustível
Desde a descoberta da Dermatopolimiosite, Pedro passa por um ritual anual que envolve uma sequência de exames, como tomografias, colonoscopias e endoscopias. A doença autoimune também já o levou a internações hospitalares: “Em janeiro do ano retrasado eu baixei no Hospital Moinhos de Vento e fiquei internado uma semana e meia com um caso bem complexo”. Todos esses relatos fazem parte da apresentação. Além disso, as mudanças no estilo de vida foram várias. “Tenho cuidado com a alimentação, evitando alimentos inflamatórios, como açúcar e glúten”, contou.
Ele também relata na palestra sobre ter parado de consumir bebida alcoólica. “Bebo no máximo para brindar alguma coisa”, acrescentou. Isso foi um divisor de águas ainda maior, visto que o jornalista teve momentos em que foi considerado um alcoolista, fator que o prejudicou tanto pessoal quanto profissionalmente. Felizmente, Pedro contou com suporte psiquiátrico e psicológico para lidar tanto com essa situação quanto com o diagnóstico de Dermatopolimiosite.
Agregando expertises
O jornalista enxerga que ser palestrante é um aditivo dentro da carreira. “Minha experiência como comunicador aparece o tempo inteiro, seja nas imitações, nas esquetes ou nos monólogos que eu faço”, elencou. Uma preocupação de Pedro está em traduzir a linguagem da palestra ao público que está na sua frente. “Tem o público corporativo, mas tem também o jovem, essa molecada que está indo para o Enem e o vestibular precisa ter também um choque de realidade. Então é um bate-papo muito versátil, que cabe para vários nichos”, defendeu.
Apesar de estar explorando mais essa faceta profissional, ele garantiu: “Jamais vou largar o Jornalismo e a Comunicação”. “O Jornalismo Esportivo e o Entretenimento fazem parte de mim. Modéstia à parte, eu me sinto talhado. Isso já foi dito por várias pessoas: eu tenho talento”, afirmou. É por isso que ele espera, em breve, se recolocar em um ambiente que abrace e oportunize seu trabalho. “O bate-papo é mais um produto que eu desenvolvi, além da profissão de jornalista, de comunicador, também sou professor de rádio, dublador, apresentador, e a palestra é mais uma dessas situações que agregam. E o Jornalismo Esportivo, o Entretenimento, o rádio e a televisão estão comigo e jamais sairão de mim”, finalizou.

