A noite da última terça-feira, 25, foi marcada por muita inspiração. A Associação Riograndense de Propaganda (ARP) realizou um bate-papo com três profissionais do setor de Criação que são referência no mercado da Comunicação. Elas foram convidadas a refletir sobre o tema ‘Zona Franca – Mulheres na Criação’. O encontro aconteceu na sede da Trinca (Avenida Paraná, nº 1761, bairro Navegantes) e contou com a participação de Paloma Peixoto, da Paim United Creators, Laura Larre Borges, da Opus Múltipla, e Julia Verdi Stuani, da Batuca – todas lideranças em suas equipes. A reportagem de Coletiva.net esteve no encontro e acompanhou parte do painel.
Com o auditório lotado, o evento teve como propósito discutir desafios, avanços e caminhos para ampliar a representatividade feminina na área. As convidadas também compartilharam vivências, relataram episódios de machismo e revisitaram o início de suas trajetórias profissionais, desde a formação até o primeiro estágio. No encerramento, o público – majoritariamente feminino – pôde fazer perguntas e aprofundar o diálogo.
A mediação ficou a cargo de Daniele Lazzarotto, diretora e fundadora da consultoria Cordão e diretora de Conteúdo e Eventos da ARP. Em sua primeira pergunta, Dani apresentou sua visão sobre o caráter ainda machista do setor e questionou como as convidadas percebem o cenário atual.
“A notícia boa é que, quando comecei, havia pouquíssimas mulheres em posições de liderança. Hoje, vemos cada vez mais espaço. A ruim é que ainda estamos diante de um dos ambientes mais machistas do mercado”, afirmou Laura.
Seguindo a mesma análise, Paloma destacou que se vive um momento com mais mulheres não apenas como funcionárias, mas também como gestoras. “Será cada vez mais comum vermos clientes exigindo essa representatividade”, avaliou. Já Julia, a mais jovem do trio, contou que ingressou no mercado já percebendo mudanças estruturais. “Na Batuca, por exemplo, temos um time formado por 70% de mulheres, sendo metade delas em cargos de liderança”, comentou.
Comunicação e liderança
Outro tema levantado foi a relação das profissionais com produtos e serviços voltados ao público feminino. Dani quis saber se elas são procuradas apenas para trabalhar com marcas desse segmento ou se atuam também em áreas tradicionalmente associadas ao universo masculino. As três concordaram que são reconhecidas pela versatilidade e pela capacidade de criar para qualquer mercado. Entre os exemplos mencionados, apareceram trabalhos para pneus e para o setor automotivo.
Para encerrar, as convidadas falaram sobre o cotidiano da liderança e sobre como procuram inspirar suas equipes. “Como gestora, acredito na empatia e na sensibilidade. O essencial é promover um ambiente saudável. A Criação precisa ser leve – desafios existem, mas o clima precisa favorecer o trabalho”, afirmou Paloma. Segundo elas, prêmios e reconhecimentos são consequências naturais de bons projetos, realizados por equipes motivadas e compostas por profissionais qualificados. “Se conquistar um prêmio custa a saúde mental, não vale a pena”, concluiu Julia.

