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Até aqui tudo bem

Por Flávio Dutra

Como bom capricorniano, não acredito em horóscopo, pero que las hai, las hai.  Assim, por via das dúvidas, ao completar setentinha aceitei verificar as previsões para meu signo, franqueadas por uma amiga que acredita firmemente nos ditames dos astros.

Numa síntese bem básica, segundo os astros, a combinação Sol em Capricórnio, Lua em Leão indica que busco ser afetuoso, mesmo que a individualidade não coopere nesse sentido; que tenho integridade e foco nas metas; que sou metido a autossuficiente, de porte respeitável, e almejo liderança; que sou determinado, com força de caráter.  

Aí, vem a avaliação correspondente ao ascendente em Libra, Vênus na Casa 5 que, sinceramente, não entendo que relação é essa. Como são revelações mais positivas do que negativas, (Queriam o quê? Que expusesse meus defeitos? Não vão levar!) prefiro considerar como válidas. Exemplos: minha atitude na vida será cortês, gentil e afetuosa; sou motivado pelos sentimentos e emoções ao invés do intelecto; não sou muito chegado a enfrentar resistências; gosto de harmonizar as coisas e as pessoas, minha intuição é notável e olha essa: o trato social chega a me dar gratificação sensual. Entretanto, vem junto uma advertência: se não controlar a me envolver tanto nos relacionamentos, posso me tornar dependente por excesso de apego.

Netuno em conjunção com o Ascendente – novamente não alcanço o significado – mostra que sou muito sensível, talvez até mesmo um médium. Fisicamente suscetível às injustiças que observo na sociedade, isso pode até me causar doenças. Tenho empatia pelos oprimidos, compreensão para com os que sofrem perturbações emocionais e compaixão pelos transgressores das regras constituídas. Quase um esquerdista…

Teria muito mais, mas vou ficar por  aqui, sem confirmar acertos ou equívocos das revelações. Quem me enviou a análise confessou certa inveja com o perfil que os astros estabeleceram a mim nesta quadra da vida. Pra falar a verdade, nem eu imaginava que era um cara tão bom! Que fique claro que ao tratar da questão com algum humor não estou debochando de quem leva fé na astrologia, apenas trato dos enunciados com leveza, este, sim, um modo de ser que reconheço como dominante e do qual não abro mão.

Também é verdade que lido bem com os contraditórios, tanto assim que postei nas minhas redes uma maldade contra os capricornianos. Trata-se de um card com uma  imagem que seria de Cristo com esta legenda: “Natal é uma farsa. Não tem como Jesus ser de Capricórnio”. Deve ser coisa de invejosos de algum signo inexpressivo, ou daquele pessoal herege do Porta dos Fundos e/ou do Leandro Karnal.

O importante mesmo é que até aqui tudo bem, chego aos setentinha com as funções vitais funcionando a pleno, com projetos ainda a realizar e ver os netos crescendo. Como diria o mestre Zagalo, vocês vão ter que me aturar.

Ah, necessário esclarecer: nasci em 6 de janeiro, também conhecido como Dia de Reis, mas não por causa da minha humilde pessoa.

Autor

Flávio Dutra

Flávio Dutra, porto-alegrense desde 1950, é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), com especialização em Jornalismo Empresarial e Comunicação Digital. Em mais de 40 anos de carreira, atuou nos principais jornais e veículos eletrônicos do Rio Grande do Sul e em campanhas políticas. Coordenou coberturas jornalísticas nacionais e internacionais, especialmente na área esportiva, da qual participou por mais de 25 anos. Presidiu a Fundação Cultural Piratini (TVE e FM Cultura), foi secretário de Comunicação do Governo do Estado e da Prefeitura de Porto Alegre, superintendente de Comunicação e Cultura da Assembleia Legislativa do RS e assessor no Senado. Autor dos livros ‘Crônicas da Mesa ao Lado’, ‘A Maldição de Eros e outras histórias’, ‘Quando eu Fiz 69’ e ‘Agora Já Posso Revelar’, integrou a coletânea ‘DezMiolados’ e ‘Todos Por Um’ e foi coautor com Indaiá Dillenburg de ‘Dueto – a dois é sempre melhor’, de ‘Confraria 1523 – uma história de parceria e bom humor’ e de ‘G.E.Tupi – sonhos de guri e outras histórias de Petrópolis’. E-mail para contato: [email protected]
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