Tempos atrás, ser ignorante em algum assunto não era algo tão sério como é hoje. Ignorância e negócios nunca foram bons parceiros, mas com a gigantesca quantidade de dados, conteúdos, tutoriais, enfim, conhecimento disponível, fica ainda pior ser ignorante nos assuntos.
Mas aí entra um pequeno detalhe. Assim como não é possível ler todos os livros que gostaríamos, muito menos todos os emails que recebemos (muitos dos quais nos cadastramos e até pagamos para receber, mas entram na área “vou ler mais tarde”, é absolutamente impossível termos conhecimento (já nem falo em sabedoria) nas múltiplas áreas que são disponíveis e muitas vezes necessárias para a atividade de negócios.
Para começar, porque até agora (penso que logo essa barreira deixará de existir) nosso cérebro tem um limite de aprendizado, armazenamento e até utilização do conhecimento disponível. E o conhecimento não está somente disponível na rede, mas presencialmente e também através de aprendizados diários que temos ao interagir com as pessoas, ao vivenciar experiências, ao refletir. Me refiro ao nosso repertório, afinal.
Outra pergunta que se impõe também é para que, afinal, termos uma gama teoricamente gigantesca de informação sobre tantos assuntos. Existe um limite (não fixo, mas bastante variável, flexível) dessa quantidade e para que serve.
Aqui, como em inúmeros momentos da vida, senão todos, entra o bom senso. De quanta informação preciso e qual uso efetivo farei dela? Claro que atualização, especialmente no ambiente digital (que é quase todo), é fundamental para que não nos tornemos obsoletos. Mas ainda ali há um limite, que na verdade é dado pelo bom senso.
Outra questão altamente relevante é a de que precisamos sim ampliar o conhecimento e experiências, mas de que foco também é fundamental. De nada adianta sermos excessivamente generalistas se não formos melhores em algumas coisas.
Li hoje ainda um artigo sobre as soft skills, por onde passa a inteligência emocional e social. Esta é uma área (talvez a mais relevante) que fica cada vez mais valorizada pelas organizações. Porque de nada adianta ter uma gigantesca quantidade de dados e informação se não soubermos nos relacionar, liderar, gerenciar pessoas. Todo a informação vai por água abaixo. Vivemos a época, por mais paradoxal que possa parecer (já que o digital/tecnológico ocupa um valor inacreditável hoje, do fator humano. Porque tudo acontece entre pessoas. Seus clientes são pessoas. Seus colaboradores são pessoas, você é uma pessoa, tudo passa pela condição melhor ou pior destes seres humanos.
Portanto, a ignorância de informações é importantíssima, mas a ignorância no convívio e relações humanas é absolutamente imprescindível. Não existe mais espaço para o chefe ignorantão, o líder inábil, os colegas estúpidos no convívio e coisas do tipo.
Agora – e para concluir – todo esse processo deve ser tocado sempre (eu disse sempre) lembrando que você é uma pessoa. Que se esta pessoa estiver ansiosa ou até adoecida psíquica ou fisicamente, tudo perde o sentido e de nada adianta tudo que eu citei acima. Nunca esqueça disso.

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